O Ministério da Saúde está avaliando os serviços de saúde bucal prestados nas áreas indígenas, em todo o país. Técnicos do Departamento de Saúde Indígena (Desai) da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), com o apoio da Coordenação de Saúde Bucal, vão definir, ainda este ano, instrumentos de avaliação e de supervisão das ações. Eles vão realizar ainda um levantamento epidemiológico para identificar as reais condições de saúde bucal da população indígena.

A primeira etapa da avaliação já foi realizada e apontou a insuficiência de recursos humanos, bem como sua alta rotatividade, como um dos principais problemas na execução dos serviços prestados nas comunidades indígenas, por gerar descontinuidade nas ações.

Além dessas questões, a migração e a dispersão de algumas etnias indígenas, fator que dificulta o início ou o acompanhamento dos tratamentos, a inabilidade de alguns profissionais em relação a questões antropológicas e a pouca participação dos indígenas no planejamento das ações de saúde, também foram apontadas como fatores que preocupam o setor.

Para superar os obstáculos identificados, os técnicos do Desai pretendem adequar o perfil do profissional que irá trabalhar nas aldeias, realizar oficinas de capacitação técnica para cirurgiões dentistas e de sensibilização para os chefes dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei), enfocando aspectos antropológicos como forma de promover a compreensão das ações de saúde que deverão ser implantadas nas comunidades indígenas. Além disso, o conteúdo saúde bucal será inserido no currículo das escolas, envolvendo os professores nas ações coletivas.