Dois fundos de investimento estrangeiros, especializados em alavancar empresas em dificuldades, planejam investir na Varig. Um deles já esteve no País para manifestar seu interesse e, segundo pessoas próximas às conversações, "está com a caneta na mão para assinar o contrato ". As negociações deverão ser intensificadas com a aprovação do texto jurídico final e dos detalhamentos do plano de reestruturação da companhia, ocorrida hoje (23) durante assembléia de credores da Varig.

Os potenciais investidores pretendem comprar dívidas da Varig por meio de créditos em mãos de credores. A idéia é também fazer aporte de dinheiro novo. "Os fundos podem entrar sozinhos ou com algum cotista", afirma uma fonte. Ela acrescenta que haverá uma oferta pública de compra de créditos para permitir a entrada de investidores.

"A Varig encerra esse período de negociação com os credores no que diz respeito ao plano de recuperação. Agora as coisas começam a tomar forma e abre-se a porta para investidores sejam eles internos ou externos, ou credores que queiram converter (créditos em cotas), com as regras definidas", diz o presidente da Varig, Marcelo Bottini. De acordo com ele, a partir de março serão realizados road shows para atrair investidores, dentro e fora do País, com a assessoria do banco suíço UBS.

O texto jurídico final e os detalhamentos do plano de reestruturação aprovados hoje incluem a nomeação de um administrador para a principal estrutura de reorganização societária e capitalização da Varig, o chamado Fundo de Investimentos em Participações (FIP) controle. Ele vai abrigar as ações das três empresas em recuperação judicial (Varig, Rio Sul e Nordeste). A escolha do gestor será realizada em assembléia no dia 13 de março.

O administrador do FIP controle será escolhido a partir de uma lista com 20 bancos de primeira linha, com nomes como Itaú e Bradesco. Depois que essa estrutura receber R$ 750 milhões, ou no prazo de três anos caso esse montante não seja alcançado, será nomeado um comitê gestor com cinco integrantes, incluindo o gestor inicial do FIP controle.

Uma consultoria para comandar a reestruturação da Varig também poderá ser nomeada, de acordo com a vontade do gestor do FIP controle. Alguns nomes já são cotados para essa função, como a Íntegra, a Galeazzi e a Alvarez & Marsal. O FIP controle será criado e registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) após a escolha de seu gestor. A Fundação Ruben Berta (FRB), dona de 87% das ações da Varig, será a primeira a converter sua participação em cotas do FIP controle e terá 30 dias para fazer isso. Ela poderá disputar uma vaga no comitê gestor, mas com poderes políticos reduzidos.

Como previsto no plano,na próxima semana a Varig pagará a primeira parcela de uma dívida de R$ 100 milhões com pequenos credores, que terão suas dívidas quitadas em até 36 meses.

Contestação judicial – Os Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), que reúne cinco associações de funcionários, vai contestar na Justiça o plano de recuperação da companhia, que já havia sido preliminarmente aprovado em assembléia no dia 19 de dezembro. O coordenador do TGV, Marcio Marsillac, diz que houve alterações entre o projeto inicial e o texto aprovado hoje.