Um adolescente de 15 anos foi apreendido por confessar ter matado a madrasta na noite desta quarta-feira (3), na Rua Professora Maria Balbina Costa Dias, no bairro Boa Vista. Segundo a polícia, Kamila Cordeiro Lisboa, de 27 anos, foi morta na entrada de casa e o garoto teria simulado um assalto para confundir as investigações, mas horas depois do enteado confessou o crime que foi cometido por vingança.

O crime aconteceu por volta das 18h, no momento em que Kamila chegava em casa depois de ir ao supermercado. “O adolescente tentou pegar o carro, ela não deixou e ele se revoltou”, disse o delegado Pedro Felipe de Andrade, da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR).

O garoto sabia que o pai guardava uma arma dentro de uma gaveta no quarto e, premeditadamente, matou a madrasta. “Ele atirou uma vez, a arma falhou, mas em seguida disparou outras duas vezes que foram certeiras”. O menino arrastou o corpo da moça para dentro de casa, trocou de camiseta e bagunçou a residência para que todos pensassem ser um roubo com morte.

Corpo de Kamila foi achado por familiares.

De acordo com o delegado, o garoto pegou o carro da jovem, um Corsa Classic, e foi até uma rua no Barreirinha, próximo da casa dele, onde queimou o veículo. “Na volta, ele primeiro chamou a avó e contou que havia encontrado a madrasta morta. Depois disse para o tio e os familiares avisaram o pai do rapaz, que estava no aeroporto de São José dos Pinhais, chegando de viagem”, explicou Pedro Felipe de Andrade.

Quando o marido de Kamila chegou, ele não teve como entrar em casa, pois o local estava isolado para a perícia. O homem, indignado com o crime, chegou a oferecer uma recompensa a quem tivesse informação sobre o suspeito. “Ela não tinha como reagir. Não era uma moça que teria força pra isso. Foi pura crueldade”, contou Jackson Pomin.

“O adolescente tentou pegar o carro, ela não deixou e ele se revoltou”, disse o delegado Pedro Felipe de Andrade

Depois da perícia, Jackson entrou em casa e percebeu que nada havia sido levado, além da arma que ele mantinha em casa, escondida na gaveta do quarto. “Foi aí que ele começou a suspeitar e os nossos policiais, em conversa com o adolescente, conseguiram a confissão”, disse o delegado.

Segundo a polícia, madrasta e o enteado não tinham relatos de agressões, mas discussões e desentendimentos. “O garoto nos disse, inclusive, que comentou com um amigo que planejava matar a madrasta, mas o amigo teria o desencorajado do crime”.

Antes de atear fogo no carro, o rapaz jogou a arma do pai num córrego. O garoto, que se queimou na perna durante a ação, foi encaminhado à Delegacia do Adolescente. A polícia continua procurando a arma, que de acordo com o delegado, era legalizada.

O carro da jovem, um Corsa Classic, foi levado durante a ação e encontrado um tempo depois.