A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) é uma das principais instituições de classe no País engajada na cruzada cívica pelo corte de gastos por parte do governo federal. No mesmo compasso, a Fiesp reclama mais eficiência e agilidade no encaminhamento e resolução de problemas crônicos da vida nacional.

Estudo recente patrocinado pela entidade sugere que o governo reduza o total da despesa real em 2% ao ano durante seis anos consecutivos (2006 a 2011), e trabalhe para manter o total da despesa real por quatro anos (2012 a 2015).

Além disso, o limite do crescimento para o total da receita real deve ser fixado em 50% da taxa de expansão do PIB, não superior a 2,75% ao ano.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que já entregou cópia do estudo ao ministro Antônio Palocci, informou à imprensa que alcançado o superávit operacional real positivo, 90% do resultado seria destinado a investimentos no ano posterior e 10% à amortização da dívida no exercício em curso.

Nos últimos nove anos verificou-se grande aumento da dívida pública, gastos do governo e carga tributária. Em 1995 a dívida do governo havia chegado a 30,5% do PIB, pulando para 51,8% no ano passado. No período citado o crescimento acumulado das receitas foi de 63,5%, na média anual de 5,6%, enquanto o crescimento médio anual do PIB foi de 2,2%, inferior à metade do aumento da arrecadação.

O estudo da Fiesp traça um paralelo elucidativo entre as linhas de elevação da carga tributária e despesas governamentais. Esse item acusou, no período considerado, um crescimento acumulado de 61,5% (5,5% ao ano).

A reclamação reiterada dos círculos empresariais é que o governo arrecada muito e é excessivamente perdulário nos gastos. Mais grave é a constatação da má aplicação dos recursos públicos em projetos inadequados ou ineficientes em termos da função social.

Em conclusão, o estudo da Fiesp assegura que se o dever de casa for feito com capricho, até 2015 o PIB poderá crescer à taxa média anual de 5,7%. O problema é convencer os gestores públicos quanto à necessidade de adotar dieta espartana na contenção dos gastos da máquina administrativa.