O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, disse, em entrevista no Palácio do Planalto, não considerar que Gilberto Carvalho, chefe do Gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esteja sob suspeita. De acordo com as investigações da Polícia Federal, Gilberto Carvalho conversou com Jorge Lorenzetti, ex-chefe da área de inteligência da campanha de Lula, no dia da prisão dos petistas durante negociação de compra do dossiê Vedoin, com denúncias contra candidatos tucanos. Tarso Genro disse que soube pelos jornais que os dois teriam conversado.

Ao ser questionado como o PT reagiria se a reeleição do presidente Lula fosse impugnada caso se descobrisse que havia dinheiro da campanha no dossiê Vedoin, respondeu: "será uma aventura política alguém tentar isso". Diante da insistência dos repórteres de que o próprio Lula já admitiu que está sujeito à lei, em uma sinalização de que, se a justiça assim entender, abriria mão do mandato, Tarso Genro desabafou: "todos estamos sujeitos à lei. Mas o que estou dizendo é que qualquer investigação que seja feita, em qualquer profundidade que ela alcance, não terá nenhum nexo com a legitimidade e com a legalidade do mandato do presidente".

Para o ministro, tentar alguma coisa neste sentido, "será uma impugnação totalmente mal sucedida, porque não terá nem fundamentação política, nem fundamentação jurídica, nem pressupostos morais", alegando que ela será falida desde o começo, na sua opinião. Ressaltando que está convencido de que a Justiça vai entender que não houve irregularidades, o ministro acrescentou: "não estou antecipando resultado da investigação. Estou dizendo que não haverá nexo nem político, nem jurídico, dessas investigações com o mandato. Isto eu sustento politicamente e juridicamente".