No dia 18 de maio, Antônio Carlos vai fazer 38 anos, idade quase proibida para jogador de clube grande. Mas ao comemorar o seu primeiro gol pelo Santos, que deu a vitória por 2 a 1 sobre o Barueri, anteontem, vibrou como garoto. Foi o gol do desabafo, em razão das críticas que recebeu ao ser recontratado pelo Santos, por onde teve passagem que considera infeliz (entre 2004 e 2005). Naquela ocasião, fez apenas 10 jogos em pouco menos de um ano.

Embora seja um jogador equilibrado, e até econômico nas respostas em entrevistas, Antônio Carlos ainda comemorava ontem o sucesso de seu retorno. E aparentemente não liga para as pessoas que o chamam de vovô da bola.

?Isso não me incomoda, até porque outros jogadores, como o Cerezo, eram chamados dessa maneira, pois jogaram até quase aos 40?, diz. ?Espero continuar sendo chamado assim e jogando bem.

Vovô ou não, o zagueiro mostrou muita disposição contra o Barueri e chegou várias vezes ao ataque. Mostrou que ainda tem fôlego. ?As pessoas falaram que as críticas me incomodaram. Não me incomodaram, não. Mas acho que a crítica tem de ser de maneira que não falte com o respeito com o jogador?, falou.

?Muitas pessoas que estudaram para ser jornalista não têm esse respeito. Acho que, se analisarem a minha carreira, vão ver que eu fiz muita coisa boa.

Antônio Carlos lembra com mágoa de sua primeira passagem pelo Santos. Sofreu duas contusões e ficou cinco meses parado. ?Nunca tinha acontecido isso comigo e agora espero jogar o máximo possível. Fiz uma boa partida contra Barueri. Não só eu, mas todo o time?, comemora o atleta, que agradece o apoio de Vanderlei Luxemburgo.

?Acho que foi importante essa demonstração de confiança do Vanderlei em mim, ele me conhece há 17 anos?, afirma. ?Quando voltei ao Santos, disseram que o Juventude não fez uma boa campanha em 2005 e 2006. Só que o Juventude é um clube pequeno e eu, graças a Deus, fiz bons jogos.

Apesar da idade considerada avançada para um jogador, Antônio Carlos não perde a motivação e a vontade de jogar. ?Dentro de campo não olho para ninguém, mesmo que do outro lado esteja meu pai ou meu irmão. Essa foi a minha criação dentro do futebol, acho que foi por isso que venci.

Antônio Carlos, um zagueiro violento? Não é bem assim. ?Às vezes extrapolo e dou uma pancada a mais, mas isso faz parte do meu setor de campo?, avisa. ?E é difícil lembrar de zagueiro como eu tanto tecnicamente como na vontade que tenho de jogar. O futebol é a minha paixão. Coloco o futebol até antes, ou em primeiro plano, em relação à minha família.