Os governadores do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, e de Santa Catarina, Luiz Henrique, ambos do PMDB, elogiaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nos discursos feitos no palanque montado na cerimônia de lançamento da ordem de serviço que dará início à duplicação da BR-101, no trecho sul, em Torres. O partido está prestes a realizar a sua convenção que poderá definir a saída do PMDB do governo, como defende, principalmente, Germano Rigotto. Durante discurso, Luiz Henrique lembrou que no momento em que as oligarquias diziam que ele e o presidente praticavam estelionato eleitoral porque o processo de duplicação da estrada ainda passaria por análises, ele tinha certeza de que ela sairia. "Conheço o presidente há 30 anos", afirmou Luiz Henrique. Ele lembrando que Lula disse que o Banco de Santa Catarina iria continuar sob controle do Estado, e ele efetivamente continuou, e o presidente disse que o cronograma da BR-101 ia ser cumprido, e todos estavam ali, naquela solenidade de anúncio do início das obras.

Germano Rigotto falou da expectativa da população em relação à obra, esperada há mais de uma década. "É uma decisão de um presidente e de um governo que sabe da importância do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e da necessidade de escoamento da produção da região", afirmou. Ao término da cerimônia, ao ser questionado se o fato de estar elogiando o presidente mudava alguma coisa em relação a sua defesa de saída do PMDB do governo Rigotto assegurou que não. "Não tem nada a ver uma coisa com outra", disse. "Apoiar governabilidade e apoiar projetos bons do governo, não precisa de cargo para isso, não precisa de favores para isso. O que precisa é tirar esse rótulo de fisiologismo, de clientelismo que tem caracterizado o PMDB ao longo desse anos".

Rigotto, que assim como Luiz Henrique, embarcou com Lula para a segunda cerimônia de início de obras da BR-101, agora no trecho catarinense, nas proximidades de Florianópolis, comentou que disse a Lula, antes de ele assumir a presidência, que ele não deveria misturar questão de cargos com o apoio do PMDB porque isso seria ruim para o governo dele e também para o PMDB. "Eu continuo com a mesma posição. O PMDB tem de ter a sua identidade própria, tem de ter os seus projetos nacionais", observou. "Agora, o PMDB hoje é um partido que não respeitam. Por quê? Porque é um partido que, ao longo desses anos, tem ficado muito menos preocupado em ter um projeto seu e mais preocupado em ir a reboque de outros, principalmente disputando espaços, cargos e funções do governo, e isso não é bom", completou.

Sobre as denúncias de que uma das empresas do ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, do PMDB (a Confederal), estava sob a mira da Justiça por desvio de verbas públicas em concorrências irregularidades, o governador do Rio Grande do Sul declarou que não cabia a ele analisar o que não conhece. Mas ressalvou que, "em qualquer setor da vida pública, obrigatoriamente, deve haver uma investigação com possibilidade de ampla defesa, mas havendo responsabilidade na punição."