O governo do Estado está intensificando a fiscalização das colheitas dos agricultores que assinaram o termo de responsabilidade e obtiveram a autorização do Ministério da Agricultura para plantar soja transgênica no Paraná.

Toda a produção está deixando o Estado em caminhões lacrados por técnicos da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e com notas fiscais discriminando que os grãos são geneticamente modificados. O trajeto das cargas também está sendo rigorosamente monitorado pelos fiscais.

A determinação para o acompanhamento da colheita partiu do governador Roberto Requião e do secretário da Agricultura e Abastecimento, Orlando Pessuti. A intenção do governo é garantir que toda a produção seja rotulada, como determina a lei federal, e também evitar a contaminação das áreas onde são cultivadas soja convencional e orgânica, que representam 99% no Estado.

Durante esta semana, a fiscalização acompanhou a colheita de 15 produtores de Pato Branco e Coronel Vivida, na região Sudoeste. Ao todo, 575 agricultores paranaenses plantaram transgênico com autorização do Ministério da Agricultura.

Durante a inspeção na região Sudoeste, os técnicos também coletaram amostras de soja para testes laboratoriais que mostrarão se os agricultores utilizaram o herbicida Glifosato nas lavouras como pós-emergente, o que é proibido em todo o país. Caso os testes sejam positivos, os produtores poderão ser multados.

Segundo os fiscais da Seab, os agricultores confessaram que as sementes utilizadas no plantio foram trazidas ilegalmente do Rio Grande do Sul, o que também é proibido por lei.
Os primos Valdemir e Adair Bau, por exemplo, declararam que plantaram sementes contrabandeada. “Temos parentes no Rio Grande e trouxemos as sementes de lá há uns seis meses”, afirmou Adair.

Adair e o agricultor Ari Comunello foram multados em R$ 10 mil cada um pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) por terem plantando soja geneticamente modificada em áreas de várzea e próximo a mananciais.

Na noite da quarta-feira passada, um caminhão com 40 toneladas do produto deixou a Região com destino ao porto catarinense de São Francisco do Sul. “O caminhão deve passar pela barreira de fiscalização na divida dos dois Estado para sabermos se houve violação dos lacres”, afirmou o agrônomo Rudmar Luiz Pereira dos Santos, da Seab de Pato Branco.

“Estamos monitorando a colheita dos agricultores que plantaram soja transgênica para justamente evitar que essas sementes se espalhem pela região de forma ilegal e possam comprometer outros agricultores de todo o Paraná que plantam o grão convencional”, explicou.