Os pacientes de Ponta Grossa e dos demais municípios dos Campos Gerais que precisavam se deslocar até Curitiba ou Campina Grande do Sul para fazer o tratamento de radioterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) poderão, a partir do final de fevereiro, poderão utilizar os serviços oferecidos na sua região. O anúncio foi feito nesta sexta-feira pelo secretário de Estado da Saúde, Cláudio Xavier, durante reunião da qual participaram os dirigentes dos hospitais públicos filantrópicos da cidade, o prefeito de Ponta Grossa, Pedro Wosgrau Filho e o secretário municipal de saúde, Alberto Olavo de Carvalho.

O Governo do Paraná, através da Secretaria da Saúde, custeará os serviços enquanto não sai o credenciamento pelo Ministério da Saúde. "Ponta Grossa possui serviços de qualidade, por isso não podemos mais deixar os pacientes viajarem 100 km para o tratamento", disse o secretário Cláudio Xavier. O investimento nos serviços será de cerca de R$ 50 mil por mês.

Também para fevereiro, a Secretaria anunciou que aumentará o teto financeiro da Santa Casa, passando a custear, com verba do tesouro estadual, os procedimentos da maternidade na área de alta complexidade, o que dá por volta de R$ 54 mil por mês. Essa ação contribuirá para que a Santa Casa continue como hospital de referência em gestação de alto risco.

A Secretaria da Saúde ainda passará a custear um dos seis leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Vicentino até que ele seja credenciado pelo Ministério da Saúde, e vai supervisionar, neste hospital, a implantação de dez leitos para atendimento dos portadores de problemas mentais.

Estas foram as ações de curto prazo anunciadas durante a reunião, que também definiu os próximos passos que deverão ser dados em parceria com o município para ampliar o atendimento na área de saúde aos mais de 500 mil habitantes da região dos Campos Gerais.

"Nossa prioridade é a saúde e a presença da secretaria estadual da saúde aqui confirma que esta também sempre foi a visão deste governo estadual", disse o prefeito Wosgrau.

Rede

Um dos principais pontos discutidos foi a organização da rede de assistência básica e hospitalar em Ponta Grossa. O município vai montar três Centros de Atenção à Saúde (CAS), que serão a base de atendimento para o encaminhamento dos pacientes aos hospitais de referência. A intenção é concluir os CAS até março e, então, o município colocará em funcionamento as ambulâncias do Sistema de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que já foram entregues pelo governo estadual, mas ainda não começaram a operar porque falta uma rede de atendimento no município.

Na organização da rede de atendimento, a Secretaria de Estado da Saúde vai atuar na definição dos hospitais de referência para o SUS. "Hoje, em Ponta Grossa, três hospitais solicitam o credenciamento em ortopedia e traumatologia e isso não vai funcionar. Precisamos de uma referência em cada área", afirmou Xavier.

A Santa Casa deverá continuar como referência na área de alta complexidade e na cardiologia. "Esta reunião é histórica. Nunca conseguimos reunir tantos hospitais e os governos municipais e estadual, todos concordando que o principal é garantir o atendimento à população, com os hospitais trabalhando em parceria e em harmonia", disse o diretor clínico da Santa Casa, Winston Bastos.

O Hospital Vicentino, que não tem nenhum credenciamento para alta complexidade, deverá ser credenciado para a área de ortopedia e traumatologia. O Hospital Evangélico deverá ser o centro de referência em saúde da mulher. Os investimentos nos hospital serão garantidos pela prefeitura, que deverá receber do governo a doação do terreno da Maternidade Sant’ana Unimed e, em contrapartida, solicitar verba para a recuperação do Evangélico e adequação à área de saúde da mulher.

Também para garantir o atendimento especializado na região dos Campos Gerais, aumentando o número de consultas e exames e diminuindo as filas, Ponta Grossa deverá incentivar os municípios vizinhos a criarem um consórcio intermunicipal de saúde. Das 22 Regionais de Saúde, apenas três não possuem consórcio, entre elas a 3ª, de Ponta Grossa. O governo do Estado repassa mensalmente, aos consórcios, uma verba que varia de R$ 30 mil a R$ 40 mil.

Saúde Mental

Depois do fechamento do Hospital Franco da Rocha, especializado no atendimento de pacientes portadores de distúrbios mentais, esse assunto passou a ser uma das preocupações da região de Ponta Grossa. Na reunião ficou decidido que a Secretaria de Estado da Saúde vai atuar junto ao Ministério da Saúde para passar o Centro de Atendimento Psicossocial (CAPs) 2 da cidade para o nível 3, podendo incluir novos atendimentos.

Além disso, o município deixará o Pronto Socorro Municipal como referência para o atendimento de emergência e desintoxicação e o Hospital Vicentino disponibilizará a partir do próximo mês 10 leitos (5 masculino e 5 feminino) para o atendimento ambulatorial dos pacientes com problemas mentais.
"É consenso entre o governo e a prefeitura que os pacientes de saúde mental de Ponta Grossa não podem sair para serem internados em outros municípios. Por isso, eles terão a estrutura que merecem aqui", disse o secretário Xavier.

Reforma

Os recursos de cerca de R$ 3,7 milhões repassados pelo Estado para construção de um hospital infantil regional e de um hospital regional em Ponta Grossa serão investidos após a secretaria municipal de saúde concluir um projeto alterando a proposta inicial apresentada pela prefeitura no ano passado.

O hospital municipal deverá ser transformado em hospital regional infantil, nos moldes do Pequeno Príncipe, em Curitiba. A verba também deverá ser utilizada para a reforma do Pronto Socorro Municipal. E será feito um novo projeto para construção do Hospital Regional.

"A intenção é garantir a melhor infra-estrutura de atendimento", disse o secretário municipal Alberto Olavo de Carvalho. O secretário estadual, Cláudio Xavier, afirmou que assim que os projetos forem apresentados, serão avaliados com rapidez pelo governo.

Histórico

Além destas medidas a secretaria já realizou nos últimos dois anos diversas ações para revitalizar a saúde pública de Ponta Grossa. Dois hospitais da cidade recebem mensalmente uma verba para auxiliar na manutenção. A Santa Casa recebe R$ 100 mil e o Pronto-Socorro da cidade R$ 30 mil. Esses valores são considerados estratégicos, uma vez que possibilitaram a implantação da primeira UTI Neonatal de toda a região. Essa UTI já estava pronta há mais de três anos, porém não havia sido colocada em funcionamento por falta de investimentos do governo anterior.

"Ponta Grossa sempre esteve e sempre estará nos nossos planos, tanto é que sempre que possível inserimos o município dentro de nossas ações, até mesmo pela amplitude e importância da cidade dentro do Estado", frisou Xavier. Ele referia-se a ações como o Programa de Gestação de Alto Risco da Secretaria, que contemplou diversos hospitais em todo o estado com equipamentos para melhor atender os recém-nascidos de risco, no qual Ponta Grossa estava sendo representada, assim como no caso dos Centros de Especialidades Odontológicas e na renovação da frota dos Siates. Ainda em outubro do ano passado, foi inaugurado um Hemonúcleo no município, entre outras diversas ações promovidas nestes dois anos.