O governo do Paraná, por meio dos diretores da Ferroeste, iniciou nesta sexta-feira uma série de encontros com ex-engenheiros da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) que formam o Centro Ferroviário do Paraná. Os debates têm o objetivo de traçar metas e criar um plano de ações para que a ferrovia entre Cascavel e Guarapuava passe a operar com sua capacidade máxima.

Hoje, a ferrovia é operacionalizada com sérias deficiências pela iniciativa privada, através da Ferropar. A subconcessionária ? denuncia o governo – está longe de atingir as metas de transportes e possui um enorme passivo financeiro com o Estado.

De acordo com o diretor administrativo financeiro e jurídico da Ferroeste, Samuel Gomes, a intervenção na operação da ferrovia é eminente.

?A Ferropar já demonstrou diversas vezes que não tem a capacidade suficiente para cumprir o contrato de subconcessão. O Paraná está sendo muito prejudicado por este mau gerenciamento?, afirmou. ?Esta reunião é mais um passo que o Governo do Estado dá no sentido de reunir as lideranças do Estado, usuários e sociedade civil para, juntos, definir a forma mais adequada para a gestão da ferrovia?, acrescentou.

Coordenação

O ex-governador Emílio Gomes, indicado como o coordenador dos estudos do Centro Ferroviário, foi direto ao afirmar que os direitos da empresa não podem estar acima direitos do Paraná. ?A partir do momento em que a má operacionalização da ferrovia está prejudicando a economia do Estado, algo tem que ser feito. E é isto que o governo Requião faz, tanto administrativamente quanto juridicamente?.

O ex-governador lembrou a importância das ferrovias na construção de uma nação. ?Ferrovias são fundamentalmente necessárias e importantes. São estratégicas para o crescimento de qualquer nação. É um modal que deve ser explorado ao máximo. Precisamos tornar a Ferroeste em uma ferrovia com capacidade para o escoamento da safra?, destacou o ex-governador.

Emílio lembrou que o Centro Ferroviário, através deste mesmo grupo, já havia entregue ao governo do Estado algumas sugestões para uma melhor gerência dos 248 km da ferrovia. ?Estamos bastante dispostos a ajudar, debater e refletir sobre as melhores e mais indicadas ações que o governo do Estado pode tomar nesta importante questão?, afirmou.

Desdobramentos

O diretor da Ferroeste adiantou que outros encontros devem ocorrer nas próximas semanas para discutir com diferentes setores da sociedade civil. As reuniões devem ocorrer principalmente em Guarapuava e em Cascavel.

?Também vamos buscar a cooperação e a colaboração dos prefeitos das cidades cortadas e beneficiadas pela ferrovia, assim como dos usuários da ferrovia . Queremos uma ampla e aberta discussão?, salientou Samuel Gomes.

A reunião contou, ainda, com a participação de setores produtivos da sociedade além do Instituto de Engenharia do Paraná e do Crea.

A Ferroeste foi construída pelo Exército no primeiro governo de Roberto Requião, entre 1991 e 1994, e privatizada no governo Jaime Lerner. Relatório da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aponta que a empresa não vem cumprindo o contrato. O número de vagões é insuficiente e a obra hoje apresenta inúmeros problemas, prejudicando o escoamento da safra do Oeste do Paraná.