Uma das novidades na Lei de Biossegurança, aprovada em março deste ano, foi a possibilidade de utilizar células-tronco embrionárias em pesquisas para a cura de diversas doenças. Diferentemente das células-tronco adultas, as embrionárias podem se transformar em qualquer célula do corpo humano, o que poderá ser, no futuro, uma esperança de cura principalmente para doenças que atingem o sistema nervoso central.

O Brasil começará em breve a desenvolver a primeira pesquisa com células-tronco embrionárias. O projeto, do Instituto Nacional de Cardiologia Laranjeiras (INCL), no Rio de Janeiro, foi um dos 41 selecionados para receber financiamento do governo.

O pesquisador Bernardo Rangel Tura explica que ainda existem muitas dúvidas sobre esse tipo de célula, como se comportam, se realmente poderão se transformar em outras células e como funcionam dentro do corpo humano. "A gente vai pegar células-tronco embrionárias e vai criar linhagens especiais, ou seja, a gente vai perpetuar essas células de forma que a partir de alguns poucos embriões nós teremos uma grande quantidade de células-tronco embrionárias que são as melhores células-tronco que existem", explica o pesquisador.

O cientista diz que ainda não selecionou os embriões dos quais serão tiradas as células-tronco. Ele ressalta, no entanto, que o procedimento será feito de acordo com a lei de Biossegurança, ou seja, os embriões doados terão que ter o consentimento dos pais e estarem congelados há pelo menos três anos, o que impede que eles consigam se desenvolver.

Ele ressalta que não existe perspectiva no momento de utilizar células-tronco embrionárias em seres humanos, mas que há um campo de pesquisa que poderá melhorar as células-tronco adultas já utilizadas em seres humanos. "É importantíssimo iniciarmos logo esse tipo de pesquisa porque vamos ganhar conhecimentos que podem ser utilizados nas outras células-tronco e com isso a gente pode tratar cada vez melhor as pessoas."