O governo continua hoje sua ofensiva para inviabilizar a criação da CPI dos
Correios. Na ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está na
Coréia, os ministros Aldo Rebelo, da Coordenação Política, e José Dirceu, da
Casa Civil, assumiram o controle das articulações para convencer os deputados da
base aliada a retirarem suas assinaturas do requerimento. Por determinação do
presidente, os ministros políticos também foram convocados e orientados a
conversar com cada deputado para abortar a CPI.

Paralelamente, o governo
vai endurecer o discurso político seguindo a linha adotada ontem por Aldo Rebelo
que acusou a oposição de tentar a desestabilização do governo de olho nas
eleições de 2006. E reforçará o argumento segundo o qual o governo está tomando
as providências necessárias, antecipando as investigações solicitadas pela
oposição. Exemplo disso é ação da Polícia Federal, que está cumprindo mandados
de busca e apreensão de documentos de dirigentes dos Correios acusados de
envolvimento no esquema de cobrança de propina.

O presidente do PTB,
deputado Roberto Jefferson (RJ), acusado de chefiar o esquema de cobrança de
propina, também se antecipou, comparecendo ao Ministério Público para prestar
depoimento. Mas a ofensiva do Palácio do Planalto ocorre tardiamente, em meio à
dispersão da base aliada e na ausência de força aglutinadora dos líderes
partidários. O governo terá hoje e amanhã para reestruturar sua base e atingir
seu objetivo.

Enquanto isso, o clima político continuará tenso na Câmara
e no Senado. Os senadores pretendem obstruir os trabalhos enquanto não houver
uma solução para o Conselho Nacional de Justiça. Já os deputados estão tentando
um acordo para acabar com a paralisia da Casa.