O governo vai convocar empresários e trabalhadores para iniciar em outubro a elaboração de uma política de recuperação gradual do valor do salário mínimo. De acordo com o ministro do Trabalho e Emprego, Ricardo Berzoini, a intenção é buscar uma fórmula que permita dar aumentos reais para o mínimo, considerando o potencial crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da produtividade do País, além das contas públicas, em particular da Previdência Social.

“Tem de ser uma discussão casada”, afirmou Berzoini. Hoje (15), o ministro discutiu o assunto com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, e acertou a realização de uma primeira reunião conjunta no mês que vem. “Trouxemos essa proposta para iniciar logo essa discussão ou iremos ver se repetir todos os anos a novela do salário mínimo”, defendeu Marinho.

Já considerando as projeções de crescimento da economia em 2005, a proposta orçamentária do governo para o ano que vem inclui uma elevação do salário mínimo dos atuais R$ 260 para R$ 281,29 em maio. Essa projeção incorpora um aumento real (acima da inflação) de 2,5%. Segundo Berzoini, a novidade da discussão feita hoje com a CUT é a proposta de uma política para vários anos. “A idéia é mandarmos, ainda este ano, um projeto nesse sentido ao Congresso Nacional”, disse o ministro. Apesar das dificuldades de votações no poder Legislativo, Berzoini se disse otimista, acreditando que o assunto possa ser analisado até o final do ano.

Segundo Marinho, a CUT quer o início do debate agora e não apenas nos meses que antecedem o reajuste do valor do mínimo. Ele disse que a central pretende levar para a mesa de negociações a proposta, já apresentada este ano, que prevê uma recuperação do mínimo num prazo de 20 anos, podendo levar o valor a cerca de R$ 1,5 mil no final desse período.

Marinho aproveitou para defender que discussões e entendimentos são a melhor forma de o País construir as bases necessárias para manter um crescimento sustentável por vários anos. Ele lembrou que a criticada proposta da CUT de “negociação social” entre os vários segmentos da economia tem esse objetivo, e não significa a idéia de formação de um pacto social nos moldes dos ano 80, com intervenção forte do Estado e congelamentos de preços. “Queremos encontrar formas de superar os gargalos da economia e promover um choque de produção e não romper com a política econômica”, disse Marinho.