Um variado leque da sociedade argentina protestou nesta quinta-feira (27) à noite contra a repressão policial, que na véspera havia causado a morte de dois desempregados que manifestavam-se pacificamente, opondo-se à política econômica do governo do presidente Eduardo Duhalde.

Na histórica Praça de Mayo, na frente da Casa Rosada, a sede do governo argentino, acotovelaram-se desempregados, aposentados  ?caceroleros? (pessoas que fazem panelaços), correntistas furiosos com o ?corralito? (semicongelamento de depósitos bancários), militantes de partidos de esquerda e sindicalistas.

No início da noite, a manifestação já aglomerava mais de 7.000 pessoas, que pediam ?que se vayan todos? (que todos vão embora), a modo de exigência de uma renúncia geral do governo e do Congresso Nacional.

As mortes dos dois desempregados – um de 21 anos e outro de 25 – na quarta-feira foram as primeiras baixas de manifestantes ocorridas durante o atual governo. Esse fato ressuscitou o fantasma da queda do ex-presidente Fernando De la Rúa, que teve que renunciar em dezembro do ano passado, após uma violenta repessão policial que causou o falecimento de cinco pessoas em pleno centro portenho.

Os dois mortos eram ?piqueteiros?, denominação dos desempregados que bloqueiam estradas pedindo comida e trabalho. Nos primeiros seis meses deste ano, o governo Duhalde já enfrentou 945 piquetes nas estradas argentinas, o equivalente a 433% a mais do que no mesmo período do ano passado.

O pano de fundo para estes protestos é a ruína acelerada do país, onde 51% da população está abaixo do nível da pobreza. Além disso, calcula-se que 24% dos argentinos economicamente ativos estão desempregados.