O governo espera receber investimentos chineses na área de infra-estrutura a partir de 2005. O ministro do Planejamento, Guido Mantega, formalizou hoje (23) a criação de um grupo de trabalho entre técnicos dos dois países para identificar oportunidades de investimentos. Durante toda a manhã, o ministro esteve reunido com o vice-ministro de Comércio da China, Gao Hucheng, e um grupo de dez empresários, discutindo projetos que poderão contar com investimentos chineses.

“Eles estão interessados nas Parcerias Público-Privadas (PPPs) para fazer investimentos na área de infra-estrutura, como transporte de soja e minério de ferro e fornecimento de material ferroviário”, disse Mantega. Em vez de esperar a aprovação da Lei das PPPs, Mantega já antecipou aos chineses uma série de projetos que poderão contar com investimentos daquele país, visando agilizar o processo de análise para, quando as PPPs estiverem autorizadas, os empresários da China já possam ter definido quais serão seus interesses.

“Entregamos um catálogo com 24 projetos, mas propusemos aos empresários e representantes do governo especificamente os projetos da ferrovia Norte-Sul e de ampliação dos portos de Itaqui e Santos”, informou o Ministro.

A idéia dos empresários chineses é alocar recursos em projetos que ajudem, ao mesmo tempo, na melhoria da infra-estrutura do Brasil e garanta uma redução dos custos dos chineses no transporte de insumos que são importados por eles. O grupo de empresários não mencionou quanto poderia investir no Brasil, mas Mantega acredita que os valores podem ultrapassar a casa dos US$ 5 bilhões. “A China está vivendo uma processo de redução do investimento interno. Com isso, abre-se espaço para alocação de recursos em outros países”, comentou. A taxa de investimento na China é de aproximadamente 38% do Produto Interno Bruto (PIB), uma taxa duas vezes maior do que a do Brasil.

A delegação chinesa aproveitou o encontro para conversar sobre outras questões, como uma maior facilidade para entrada e permanência de chineses no Brasil, o estudo de acordos de tributação – para evitar a cobrança duplicada de impostos – e uma nova classificação econômica da China. Atualmente, o Brasil considera a China como um país em transição para economia de mercado. Os chineses querem ser considerados como economia de mercado. Essa mudança de classificação facilita os investimentos e as relações comerciais entre os dois países, uma vez que as nações que não são classificadas desta maneira sofrem restrições tarifárias para colocar seus produtos no Brasil.