Com a presença de empresários e representantes de entidades públicas e privadas que participaram da missão de negócios realizada na semana passada à Venezuela, o governador Roberto Requião aproveitou a reunião da Escola de Governo desta terça-feira (22) para fazer um balanço dos entendimentos mantidos pela comitiva paranaense com setores privados e com o governo Hugo Chávez.

O governador confirmou que os negócios iniciais chegaram a US$ 115 milhões, com a realização de 150 encontros nas rodadas de negócios e 27 acordos de cooperação entre o Paraná e o país sul-americano. Requião ressaltou a força das missões de comércio exterior realizadas pelo Paraná e rebateu críticas da imprensa brasileira ao governo da Venezuela.

?Hugo Chávez é importantíssimo na Venezuela. Há 2 anos, o barril de petróleo custava US$ 7. Hoje, a Venezuela vende a US$ 50. O principal produto do país estava sendo dado de presente aos EUA?, afirmou o governador, que disse ainda que cinco famílias são donas de 85% das terras do país e que, após longo período de opressão e miséria, a Venezuela está retomando seu desenvolvimento.

?O país ainda tem uma dificuldade enorme em produzir bens de consumo duráveis e precisa do apoio do empresariado latino-americano. Não queremos, eu e Chávez, uma rejeição do capital. Não buscamos o livre mercado, mas o mercado justo?, acrescentou.

Paraná

A missão durou cinco dias de missão e reuniu 80 empresários paranaenses e de Estados como Amazonas, Roraima, Santa Catarina e Minas Gerais. Requião fez uma análise dos ganhos para o Paraná. ?Em dois dias, fechamos um volume de negócios que quase bateu o resultado das exportações de todo o ano de 2004 do Paraná para a Venezuela?, analisou.

O governador também ressaltou a proposta venezuelana de venda e processamento de alumínio para o Brasil e principalmente ao Paraná. ?Estamos criando uma linha marítima entre os Portos de Paranaguá e de Cabello, na Venezuela. Iremos comprar a uréia produzida por eles e vender a nossa soja não-transgênica?.

De acordo com o governador, a Venezuela só tem acesso à maioria dos produtos brasileiros via Miami. ?Essa é a realidade da bipolaridade mundial hoje. Estamos apostando na multipolaridade. Missões como estas já foram feitas no Paraguai, Uruguai, Chile, Argentina, China e França e todas garantiram sucesso para os empresários paranaenses?, conclui.

Para o secretário da Indústria, do Comércio e Assuntos do Mercosul, Virgílio Moreira Filho, o papel do Governo na missão foi justamente o de oferecer suporte logístico voltado aos pequenos e médios empresários do Estado. ?Fomos com 12 áreas do governo estadual para a Venezuela e 27 acordos de transferência de tecnologia e cooperação técnica do Paraná ao país sul-americano foram assinados. Nas rodadas de negócios, o saldo foi uma das missões mais promissoras já realizadas pelo Paraná?, destacou.