O governo brasileiro espera que, daqui a dois anos, qualquer cidadão que precise passar por uma cirurgia de transplante de córneas no país possa fazê-lo sem a necessidade de aguardar na fila. Outra meta é reduzir pela metade as demais filas de pessoas que, para continuarem vivas, dependem de doações de um ou mais órgãos como rim, coração, pulmão, pâncreas e fígado ou ainda de medula óssea.

O Brasil mantém hoje o maior sistema público de transplantes do mundo, e aumentou em 34%, no ano passado, o número de doadores. Em contrapartida, o país ainda contabiliza 63 mil pacientes na fila de espera do Sistema Nacional de Transplantes por um órgão.

"Precisamos incrementar mais ainda essa disposição de doação por parte das pessoas e melhorar a infra-estrutura de sensibilização e de coleta de órgãos para realização de transplantes", apontou o ministro da Saúde, Saraiva Felipe, ao lançar a campanha Nacional de Doação de Órgãos. Na cerimônia de lançamento, hoje, foi exibida peça publicitária que começa a ser veiculada hoje e segue até o próximo dia 25 em emissoras de TV aberta.

O ministro da Saúde também anunciou hoje a instituição do prêmio anual Destaque na Promoção da Doação de Órgãos e Tecidos no Brasil, com a entrega dos três primeiros troféus em homenagem às familiares de vítimas de morte encefálica que integram a lista de doadores. O prêmio é uma miniatura de escultura do artista Darlan Rosa.

Entre os primeiros homenageados está a médica pediatra e sanitarista, Zilda Arns Neumann, fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Criança e da Pessoa Idosa, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que doou os órgãos de uma filha, morta em acidente, em 2003. Além dela, foram lembradas hoje Leotina Maria Franco, uma comerciaria doadora dos órgãos do filho, e a médica cirurgiã cardiovascular Marli Garcia Lopes, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), doadora dos órgãos da irmã.

Em 2004, foram realizados no país 11.074 transplantes, com gastos do Ministério da Saúde orçados em R$ 245 milhões.