Brasília – Deve estar concluído até o mês de abril o Estudo sobre Mar e Ambientes Costeiros sobre o potencial dos mares brasileiros, ou seja, o levantamento dos seres vivos e recursos minerais existentes no mar. Os dados foram encomendados pelo Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (NAE). Com os resultados, o órgão poderá propor estratégias de investimento ao governo federal.

O trabalho está sendo feito pelo Centro de Gestão em Estudos Estratégicos, uma organização social que recebe recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia. As primeiras conclusões apontam que o Brasil explora muito pouco a sua porção marítima.

?O Brasil tem uma característica interessante: embora tenha uma costa bem grande – nós temos mais de oito mil km² de costa -, embora a maioria da nossa economia e da nossa população esteja próxima do mar, a gente interage pouco com o mar?, ressalta o secretário-executivo do NAE, Raul Sturari.

Segundo ele, já há resultados disponíveis sobre os recursos minerais da plataforma continental, sobre os recursos vivos e sobre a ciência e tecnologia voltada para o mar, que inclui dados sobre ambiente e clima, ecossistemas costeiros, poluição marinha, tecnologia do mar e oceanografia internacional.

?Na verdade, o que nós já identificamos é que existe todo um potencial a ser explorado e que a nação brasileira, não só o governo brasileiro, mas a nação toda tem um grande potencial, uma grande perspectiva à sua frente e não está explorando isso convenientemente?, avalia Sturari.

A área marítima brasileira é atualmente de cerca de 3,5 milhões de km², quase o dobro do tamanho do Amazonas. Esta área poderá ser ampliada para 4,4 milhões de km², caso a Organização das Nações Unidas (ONU) aprove o pedido brasileiro de expansão da plataforma continental.

O Estudo sobre Mar e Ambientes Costeiros integra as atividades do Projeto Brasil 3 Tempos, que estabelece metas para o desenvolvimento do país em três prazos: 2007, início do novo governo federal; 2015, prazo final para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, e 2022, quando o Brasil completa 200 anos de independência.