O governo federal está retomando o trabalho de organizar a assistência técnica e extensão rural para a agricultura familiar, que reúne em todo o país 4,1 milhões de famílias, correspondendo a 80% dos produtores brasileiros.

Para comemorar a retomada desse serviço, está sendo realizada em Brasília a Conferência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, que termina no próximo domingo (14). No Palácio do Planalto, será aberta hoje uma exposição que conta a história dos 70 anos da extensão rural no Brasil.

Hur Ben Corrêa da Silva, técnico da Secretaria de Agricultura Familiar e do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário, informou que o governo federal estava há 14 anos fora dessa área com a extinção da Embrater, a Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural, durante o governo Collor em 1990. Em 2003, o Ministério do Desenvolvimento Agrário reassumiu essa responsabilidade. De acordo com Hur Ben, no ano passado foi elaborada uma Política Nacional para Extensão Rural com o apoio dos estados, municípios organizações não-governamentais e a sociedade.

O técnico do Ministério do Desenvolvimento Agrário afirmou que hoje apenas 1,6 milhão de famílias de agricultores familiares têm acesso aos serviços de assistência técnica e extensão rural e que é preciso ampliar esse número. “Nós estamos restaurando esse serviço para que todas as 4,1 milhões de famílias da agricultura familiar recebam assistência técnica e extensão rural. Os pequenos agricultores têm dificuldade de pagar por assistência técnica e extensão rural, mas é essencial no campo. Assim como a saúde e a educação são áreas prioritárias, a assistência técnica é importante e o governo deve oferecer para aqueles que vivem da terra”, enfatiza.

Hur Ben informou ainda que a meta do Ministério do Desenvolvimento Agrário é a mesma obtida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que dá assistência técnica e extensão rural a 100% das 600 mil famílias assentadas.

A maior parte dos agricultores familiares sem assistência técnica (50%) está na Região Nordeste. No Sul e Sudeste do país, de acordo com Hur Ben, a situação é bem melhor porque os estados dessas duas regiões não deixaram de aplicar na assistência técnica e extensão rural quando o governo federal deixou de investir no setor.

O técnico do Ministério do Desenvolvimento Agrário explicou que além de investir na agricultura familiar, é preciso coordenar os trabalhos para causar impacto significativo no campo. É preciso capacitar técnicos, aumentar os recursos destinados à assistência técnica e extensão rural para que, em médio prazo, todos os pequenos agricultores do país tenham acesso a recursos, mercado, técnicas de processamento, de plantio e de organização que vão possibilitar maior renda e qualidade de vida. “Não é só produzir mais e vender melhor, é todo um processo de organização do campo de construção de infra-estrutura. Esses esforços unidos poderão dar um impacto significativo na agricultura familiar”, conclui Hur Ben.