O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que, como tradição diplomática da política externa brasileira, o governo está negociando salvo-conduto para o ex-presidente Lucio Gutiérrez com as autoridades que têm o controle efetivo do território no Equador. "O Brasil não pratica uma doutrina de reconhecimento de governos", disse Amorim. Após a destituição de Gutiérrez, o Congresso nomeou o vice-presidente Alfredo Palacio para comandar o país. O Brasil concedeu na quinta-feira o asilo territorial ao ex-presidente.

O ministro afirmou que ainda não está definida a cidade brasileira onde o ex-presidente do Equador irá permanecer. De acordo com Amorim, o presidente equatoriano deve ser abrigado em uma casa do governo brasileiro durante um tempo "razoável". Gutiérrez ainda está asilado na embaixada brasileiro em Quito, capital do país, aguardando pelo salvo-conduto que o autoriza a deixar o país em segurança.

Amorim disse ainda que o fato de o Brasil conceder asilo político a uma autoridade não significa simpatia, preferência ou apoio. "O asilo tem por objetivo não só proteger uma pessoa, mas contribuir para a paz social no país porque, às vezes, a presença continuada de uma pessoa é até um foco constante de agitação e rebelião."