O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o governo pretende encaminhar ao Congresso um projeto de lei para a criação de uma política permanente de recuperação do salário mínimo. O ministro informou que a intenção é que o texto esteja pronto até o fim de março.

Marinho destacou que a proposta terá como ponto de partida negociações entre o governo, as centrais sindicais, representantes dos aposentados e dos empregadores, com participação também de estados e municípios. A idéia é que, independentemente de quem esteja no poder nos próximos 15 ou 20 anos, a política terá de ser seguida. "Ele (o governante) poderá até adicionar leis, caso haja espaço no orçamento, mas não poderá fazer menos do que estiver estabelecido na política. Isto é o que traz de ganho para o processo de negociação", acrescentou.

Para o ministro, esta foi a primeira vez em que houve, de verdade, uma negociação entre trabalhadores e governo para a definição de um novo valor para o salário mínimo. Ele lembrou que quando era dirigente sindical participou da Marcha por um Salário Mínimo Justo, da cidade goiana de Valparaíso a Brasília, em dezembro de 2004, para pressionar o governo a definir o reajuste que seria aplicado em 2005.

"No dia da marcha fomos recebidos pelo presidente (Lula) e ele anunciou o valor de R$ 300. Então, na verdade, não houve uma negociação como houve neste ano". Marinho lembrou que, ao assumir o ministério, era lógico que buscasse manter a prática da negociação que desenvolveu em todos os anos como líder sindical. "Foi isso que nós procuramos fazer, (além) do compromisso de construir um processo de negociação olhando para o futuro". Para ele, é importante criar uma política de valorização do salário mínimo não meramente de governo, mas de Estado.