O Brasil deverá produzir 106,08 milhões de toneladas de grãos na safra 2002/03, um número recorde. A estimativa foi divulgada hoje pelo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, em cerimônia realizada na sede da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O número representa um aumento de 9,7% sobre a produção de 2001/02, quando o País produziu 96,702 milhões de toneladas.

Pratini destacou que a safra vai crescer em razão do aumento da produtividade e da expansão da área plantada. Em 2002/03, a área cultivada deve atingir 41,889 milhões de hectares, um aumento de 4,3%. “Parece pouco, mas isso representa 1,712 milhão de hectares, mais do que a maioria dos países europeus utiliza”, destacou o ministro.

A soja manteve-se no topo das estatísticas de produção, respondendo por 47,59 milhões de toneladas, um crescimento de 13 6%. Nos últimos quatro anos, a produção brasileira cresceu 50%. O novo salto na produção deste ano foi provocado, segundo Pratini, por dois fatores: a alta dos preços internacionais e a desvalorização do real.

“Mas a soja também está crescendo porque está havendo maior consumo de farelo pela avicultura e suinocultura”, destacou. “Só exportamos 30% da produção, o resto é comprado pela indústria esmagadora.”

Trigo

De acordo com as estimativas do governo, a produção de trigo em 2002/03 poderá atingir 4,5 milhões de toneladas, garantindo 45% do consumo nacional. Na safra passada, a colheita ficou em apenas 2,08 milhões de toneladas, por problemas climáticos na região Sul, principal área de produção.

Para evitar o clima instável do Sul e garantir o crescimento sustentado da produção brasileira, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveu variedades de trigo adaptadas ao clima do Brasil Central. Dos 2,31 milhões de hectares que deverão ser plantados na próxima safra, 127 mil hectares ficam nas regiões do cerrado e nas terras altas da Chapada Diamantina, na Bahia.

Pratini também destacou o crescimento da produtividade do arroz. A Conab estima uma colheira de 10,92 milhões de toneladas, um crescimento de 2,5% em relação à safra 2001/02, mesmo com uma redução de 0,7% da área plantada, para 3,23 milhões de hectares, devido ao excesso de chuvas na época do plantio. O governo também aposta em crescimento da produtividade do algodão.

Apesar de a área plantada ter caído 4,3%, para 715,4 mil hectares, a safra de algodão em pluma deve chegar a 791,3 mil toneladas, 3,3% acima da colheita 2001/02. “Se a área caiu, o principal motivo foi o enorme volume de subsídios dados pelos EUA a seus produtores de algodão”, disse Pratini. Segundo o ministro, os produtores americanos recebem US$ 0,74 por libra-peso de algodão produzido, o que faz o produto inundar o mercado e deprimir os preços.

Milho

Pratini disse que o plantio de grãos sofreu atraso neste segundo semestre devido ao fenômeno climático El Niño, que provocou aumento de chuvas no Sul e em São Paulo e estiagem no Nordeste e no Brasil Central. Mas, segundo ele, a situação já se normalizou e não preocupa, no caso da soja.

Mesmo assim, o governo decidiu manter uma estimativa conservadora para a segunda safra de milho, que é plantada no início de cada ano em áreas onde se cultivou soja no segundo semestre do ano anterior. Atrasos na colheita de soja tornam o plantio do milho mais arriscado, pois a cultura pode sofrer com a ausência de chuvas.

“Por isso, estamos mantendo a projeção para a segunda safra de milho no mesmo volume deste ano, de 6,18 milhões de toneladas”, disse o ministro. “Mas, como os preços do milho em 2003 prometem ser muito remuneradores, é possível que o número atinja 7 milhões ou 8 milhões de toneladas.”

O ministro da Agricultura destacou ainda que a balança comercial do agronegócio deve fechar este ano com um superávit de até US$ 21 bilhões. Em 2001, o saldo foi de US$ 19 bilhões. “Isso significa que o saldo de US$ 12 bilhões da balança comercial é garantido pelo agronegócio, que consegue neutralizar o déficit da área industrial da economia”, disse o ministro.

Pratini destacou o desempenho do setor de carnes, que deve exportar US$ 3 bilhões neste ano. Nos últimos quatro anos, as exportações de carne bovina cresceram 137%, as de carne de aves, 111%, e as de suínos, 129%. “Há potencial para mais crescimento”, disse o ministro.