Brasília (AE) – Integrantes do governo rechaçaram hoje as denúncias de que a campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha recebido dinheiro de Cuba, como informa reportagem da revista "Veja". Segundo a reportagem, o caixa de campanha do PT teria sido abastecido em 2002 por uma remessa de US$ 3 milhões, enviados pelo governo cubano para ajudar na eleição de Lula.

O chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse que nunca ouviu falar nesse dinheiro. "Acho (essa história) absurda. Nunca foi hábito nosso obter financiamento do exterior, isso nem é permitido", disse.

Dentro do Congresso, a reação dos petistas foi a mesma. O deputado Maurício Rands (PE), integrante da CPI dos Correios, afirmou que a acusação "não tem fundamento". " Nunca tive conhecimento desse dinheiro e acho isso pouquíssimo provável". Ele reconheceu que existe uma relação de simpatia entre o regime cubano, comandado por Fidel Castro, e o PT. Mas argumentou que o governo da ilha, por ser muito visado internacionalmente, "não cometeria um ato infantil desses".

Outro parlamentar do PT, o deputado federal Luciano Zica (SP), disse não acreditar que as acusações sejam verdadeiras e criticou a prática do chamado "denuncismo". "Agora, qualquer um que é acusado faz uma denúncia para se defender", disse, referindo-se ao ex-assessor de Antonio Palocci, Rogério Buratti, que é acusado de cobrar propina da empresa Gtech, e é uma das pessoas que confirmam a denúncia de que o PT teria recebido dinheiro de Cuba.

Citado pela reportagem como tendo participação direta na articulação da captação dos recursos supostamente enviados por Cuba, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, não quis se pronunciar sobre o assunto.