O governo do Estado lamenta a decisão da justiça que concedeu reajuste no valor do pedágio nas estradas sob a responsabilidade da Rodonorte. "É uma decisão lamentável porque atendeu justamente a empresa que mais vem apresentando irregularidades no atendimento ao usuário; que vem sendo alvo de inúmeras multas e que pode ter o contrato com o governo extinto em função de um processo pela caducidade impetrado pelo governo do Estado", afirmou o diretor-geral do DER, Rogério Tizzot.

A Procuradoria Geral do Estado (PGE) informou que já está providenciando um recurso contra a decisão. Segundo Tizzot, esse reajuste não pode prevalecer porque, em inspeção feita pelo DER e numa inspetoria realizada pelo Tribunal de Constas (TC) do Estado, foram verificadas um número de irregularidades 432% acima do tolerável, o que representa o não cumprimento do contrato com o governo do Paraná. "As multas diante das irregularidades já chegaram a R$ 16 milhões", recorda o diretor.

Diante da gravidade do problema, o DER recorda que instaurou no dia 23 de dezembro um processo administrativo para a extinção do contrato com a concessionária. O próprio governador Roberto Requião, em viagem que fez nos últimos dois por estradas sob a responsabilidade da Rodonorte, se manifestou indignado com o que viu. "As estradas com cobrança de pedágio estão piores que as mantidas pelo governo do Estado", denunciou. "Não vamos afrouxar contra o alto valor do pedágio", reforçou.

A situação mais grave é verificada no trecho entre Ponta Grossa até Mauá da Serra, no Norte do Estado. "Nesse trecho, verificamos excesso de buracos, afundamentos no pavimento, sinalização inadequada e até vegetação no meio da pista", relatou a inspetora do TC Eliane Senhorinho dos Santos. "São problemas que demonstram que a concessionária não tem interesse em buscar a solução e não é justo que o usuário pague por isso".

O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, alertou que a decisão da justiça em favor da Rodonorte não se sustenta. "Ela se contrapõe à outras decisões judiciais favoráveis do próprio TRF ao governo do Paraná", afirmou. "Os degraus, reajustes extras obtidos pelas concessionárias, já foram considerados irregulares em várias instâncias na justiça", alertou ainda. "Essa nova decisão é uma agressão à população do Paraná que, num parodoxo, paga altas tarifas e trafega por estradas de baixa qualidade. Vamos, sim, recorrer da decisão".