O governo terá maioria de apenas um voto na CPI que o Senado deve instalar hoje para investigar as organizações não-governamentais (ONGs). A lista de integrantes da comissão foi divulgada ontem: serão seis senadores governistas e cinco de oposição. A CPI terá de encerrar seus trabalhos até o fim da atual legislatura, em fevereiro, e não poderá ser prorrogada

Como o tempo é curto, a estratégia da oposição será reunir agora o máximo possível de dados e tentar criar outra CPI sobre o tema na próxima legislatura. A investigação se concentrará na transferência de recursos do Orçamento para ONGs no governo Lula. O senador Heráclito fortes (PFL-PI), que pediu a CPI, já disse que não se oporia a estender a apuração ao governo FHC. Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), 54,5% dos convênios da União, entre 1999 e 2005, foram firmados com ONGs sem capacitação nem estrutura para realizar os trabalhos acertados.

Na CPI, o governo terá Gilvam Borges (AP), Gerson Camata (ES) e Valter Pereira (MS), do PMDB, e Sibá Machado (AC), Flávio Arns (PR) e Ideli Salvatti (SC), do PT. A oposição, além de Heráclito terá Efraim de Morais (PFL-PB), Álvaro Dias (PSDB-PR), Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).

A expectativa é de que os debates na CPI sejam quentes. "O governo vai para o confronto e já colocou a senadora Ideli para compor a base", disse Heráclito, confirmando que uma das investigadas vai ser a ONG Rede 13, de Blumenau, que teve entre seus integrantes Lurian, filha do presidente Lula, e o ex-chefe de inteligência petista Jorge Lorenzetti, acusado de ser o articulador da operação de compra do dossiê Vedoin, contra políticos tucanos.