No tribunal onde ocorre o julgamento dos envolvidos na chamada operação Anfal, na qual 180 mil curdos foram mortos em 1987 e 1988, a promotoria apresentou uma gravação de áudio em que o ex-ditador Saddam Hussein e seu primo Ali Hassan al-Majid, conhecido como "Ali Químico", conversam sobre o massacre dos curdos com armas químicas.

Na gravação ouve-se um homem identificado como Saddam dizendo: "Elas (as armas químicas) são eficazes, exterminam aos milhares e os impede de comer ou beber. Eles terão de desocupar suas casas sem levar nada, até que possamos finalmente eliminá-los." Em outro trecho, que a promotoria aponta como sendo a voz de "Ali Químico" se ouve: "Vou atacá-los com armas químicas e matar todos. Quem vai dizer alguma coisa? A comunidade internacional? Dane-se a comunidade internacional".

O julgamento foi retomado depois de 18 dias de recesso e da polêmica execução de Saddam. As acusações de genocídio e crime contra a humanidade que pesavam contra o ex-ditador foram canceladas, mas os outros seis acusados continuam enfrentando o julgamento. Também foi exibido um vídeo mostrando mulheres e crianças mortas, depois de um suposto ataque químico ordenado por Saddam.