O navio Galateia deixou hoje o Porto de Paranaguá com um carregamento de 60.900 toneladas de soja não transgênica com destino à Ásia. A partida foi acompanhada pelos “inspetores de biossegurança” do Greenpeace ? que defendem que o Paraná continue livre de soja transgênica ? , pelo superintendente do porto, Eduardo Requião, e por um dos coordenadores da Fetraf Sul (Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da região Sul), Marcos Rochinski.

O Estado do Paraná, segundo maior produtor de soja brasileira, tem feito esforços para manter a produção e a exportação de soja livres da contaminação genética. “A iniciativa paranaense merece ser parabenizada, tanto por preservar a competitividade da soja brasileira no mercado internacional, beneficiando a maioria dos agricultores brasileiros que não plantaram transgênicos, como também por não permitir os impactos ambientais que estes organismos podem causar”, disse Ventura Barbeiro, agrônomo da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace. “A iniciativa do Paraná deve ser apoiada pelo governo federal e servir de exemplo para o resto do país”, afirmou.

“Na medida em que mantemos a soja convencional na nossa agricultura, estamos atendendo a vontade do mercado internacional. A soja transgênica é contestada no mundo e está perdendo o seu espaço. Além disso, não há referência científica de que essa soja não produza danos ao meio ambiente e à saúde”, disse Eduardo Requião, durante o evento.

Segundo a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, a estimativa da produção no ano de 2004 é de 10,2 milhões de toneladas de soja em grão não transgênica, e 4,5 milhões de toneladas de proteína de soja não transgênica. Aproximadamente 60% deste volume é destinado à exportação.