A organização ecológica mundial Greenpeace iniciou uma campanha internacional para pressionar os governos do Brasil e do Pará a prender e punir os assassinos da missionária Dorothy Stang, morta sábado, em Anapu (PA). Ela atuava em defesa dos trabalhadores rurais e da preservação do meio ambiente.

Ativistas e simpatizantes da ONG estão sendo convocados a entrar na página na internet (www.greenpeace.org) para mandar cartas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador Simão Jatene (PSDB) exigindo Justiça. A carta, em inglês, compara irmã Dorothy a Chico Mendes, ecologista morto nos anos 80, e, em tom de cobrança, diz que não são mais aceitáveis "mártires" na região.

Há uma explicação de que o texto é uma sugestão e remetente pode fazer a modificações que desejar. Também recomenda que o autor da mensagem seja "polido" e corrija possíveis erros, antes de pressionar o botão de enviar. Endereço do remetente e uma saudação final serão acrescidos automaticamente.

"No último sábado, 12 de fevereiro a idosa irmã Dorothy Stang, uma freira americana e cidadão brasileira que defendia a herança nacional da Amazônia de grileiros, foi cruelmente assassinada", diz ao texto. "Irmã Dorothy viveu mais de 30 anos na Amazônia, tendo dedicado quase metade e da sua vida a dar voz às comunidades rurais, defendendo seus direitos à terra e lutando por um modelo de desenvolvimento que não resultasse na destruição da floresta. Ela incansavelmente insistiu que a presença governamental nas regiões remotas da Amazônia era necessária.", afirma a carta.

"Dezesseis anos após a morte de Chico Mendes, a impunidade continua a caracterizar as regiões remotas da Amazônia. Não podemos mais aceitar mártires na Amazônia. Também não devemos aceitar mais um derramamento de sangue na floresta", prossegue o texto.

"Senhor presidente e senhor governador, as autoridades de seus governos, principalmente o governo estadual do Pará, já tinham sido alertados sobre os conflitos na região e os riscos que irmã Dorothy corria. No entanto, ninguém agiu para providenciar segurança para ela e outros líderes. Exijo que o governo providencie uma rigorosa investigação, punição para os responsáveis e total suspensão da matança que marca a Amazônia com a lei da violência e da intimidação, em lugar da lei do Estado", afirma o texto.

"Confio que o governo brasileiro assumirá total responsabilidade por fazer Justiça a este crime e implementará medidas concretas para estancar as causas dessa violência, como a grilagem de terras e a ocupação ilegal, e garantir um futuro sustentável para a Amazônia e seus habitantes", encerra.

Cópias do texto também serão mandadas aos ministros Marina Silva (Meio Ambiente), Miguel Rossetto (Reforma Agrária), Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e Celso Amorim (Relações Exteriores), além do secretário especial de Direitos Humanos, Nilmário Miranda.