A paralisação dos servidores do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS)
será mantida após a decisão do governo federal de cortar o ponto na folha de
pagamento e de retirar a proposta rejeitada pelo comando de greve da categoria.
O Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência no Estado de São Paulo
(Sinsprev) considerou a decisão como "inaceitável". O diretor do Sinsprev,
Laércio Duque de Lemos, afirmou que o governo não negociou nenhum ponto com a
categoria. Na sexta-feira passada (22), o Ministério do Planejamento divulgou
nota explicando que a proposta foi retirada após a rejeição das entidades
sindicais.

"A greve continua. A cada vez que o governo recua na
negociação com o movimento, o processo de mobilização aumenta", disse Lemos. O
sindicalista também afirma que o movimento não abrirá mão das reivindicações de
18% de gratificação, 47,1% para os servidores da saúde, contratação de 18 mil
servidores, atualização da área de informática e plano de cargo e carreira para
os servidores da previdência.

Na nota, o ministério afirma que fez
diversas propostas aos grevistas. A maior delas previa pagar R$ 140 milhões em
gratificações aos funcionários a partir de janeiro de 2006. A recomposição seria
de 9,7% a 17% aos servidores ativos e de 5 a 9,4% para os funcionários
aposentados e pensionistas. "Essa proposta iria contra um princípio que nós
temos dentro do movimento sindical: a não discriminação dos servidores inativos.
A proposta do governo, além de insuficiente, discriminava de maneira absoluta os
aposentados da categoria", avaliou Lemos.

Segundo o sindicalista, o
comando de greve em Brasília será ampliado para reabrir o processo de
negociação. A greve dos servidores do INSS já se estende há 54 dias. Apenas no
estado de São Paulo, foram mais de 1,8 milhão de segurados sem atendimento.