Canteiros de muda da Embrapa,
onde são cultivadas as árvores
que serão transplantadas.

A Embrapa Florestas, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária-Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em parceria com a Itaipu Binacional, apresentou, durante o XIV Congresso Brasileiro de Sementes realizado em Foz do Iguaçu, esta semana, sementes melhoradas de grevílea, a semente de grevílea G01.

A grevílea (Grevillea robusta Cunn.) é uma espécie nativa da Austrália, das regiões costeiras dos estados de New South Wales e Queensland, que apresenta potencial de uso para sombreamento de culturas agrícolas, pastagens e madeira para desdobro. As primeiras introduções de sementes da espécie no Brasil, feitas no final do século XIX, foram oriundas de poucas matrizes, formando, conseqüentemente, uma base genética restrita. Os povoamentos plantados com essas sementes apresentavam problemas de elevada mortalidade, sementes de baixo vigor e número elevado de fustes com má formação.

Devido a tais fatores, a Embrapa Florestas importou, em 1992, vinte procedências da espécie oriundas da Austrália e mais 126 progênies de 23 procedências no ano seguinte, visando à formação de uma base genética ampla. Este material foi instalado em regiões dos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, em áreas experimentais que totalizavam 27,0 hectares, contando com a parceria de Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – ESALQ e da Itaipu Binacional, onde os experimentos estão instalados junto ao lago da represa, além de diversos produtores particulares.

Nesse mesmo ano, 1993, foram implantados testes de procedências que totalizaram 11,0 ha e, em 1994, testes de progênies que totalizaram 16,0 ha. Após a implantação dessas áreas, os plantios foram manejados e transformados em Áreas de Produção de Sementes (APS).

Resultado do trabalho de um grupo de pesquisadores da Embrapa Florestas, as sementes geradas nessas APS beneficiarão o setor florestal das regioes Sul e Sudeste e, principalmente, os pequenos e médios produtores rurais que poderão com essa nova tecnologia implantar povoamentos capazes de agregar renda a suas propriedades devido à possibilidade de produção de madeira serrada de boa qualidade, árvores para sombrear culturas agrícolas, quebra-ventos, lenha e moirões.

Para o agronegócio brasileiro a semente de grevílea G01 representa ganhos reais superiores a 85% na produção volumétrica da espécie para os estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, estados onde foram implantadas as áreas experimentais do projeto que resultou nessa nova tecnologia.