"Sou trabalhador. Eu queria espancar o cara, matar o cara, coisa que eles (a polícia) deveriam fazer e não fazem", disse o agente administrativo de saúde, Estevão Correa de Carvalho, de 27 anos, e se colocou à frente do último acusado de matar o menino João Hélio Fernandes, impedindo sua entrada na delegacia para a acareação da tarde desta terça-feira (13).

O delegado Hércules Pires do Nascimento, da 30 ª Delegacia de Polícia (Marechal Hermes, zona norte), empurrou o morador de Marechal Hermes que tentava agredir o menor E., de 16 anos. "Sai para lá, vagabundo, agitador", gritou o delegado.

Carvalho havia esmurrado a ambulância que trazia o menor. Pouco antes, o delegado reuniu os cerca de 30 jornalistas que estão cobrindo o caso, para criticar o comportamento de alguns deles. Quando os outros quatro acusados chegaram, juntos, trazidos por policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (Core), foram hostilizados por cerca de 50 pessoas que aguardavam a chegada deles, na frente da delegacia.

Por volta das 14h, no estacionamento da 30ª DP, área de acesso restrito a jornalistas, os quatro foram novamente hostilizados verbalmente e agredidos com socos e pontapés. "Partiram para cima dos policiais e queriam bater nos caras. Isso não é comportamento de imprensa, que tem que ser isenta como a polícia", afirmou o delegado. "Eu não acho que tem que bater não tem que matar. Eu tenho uma filha de 6 anos", declarou um operador de câmera.

O repórter fotográfico do Estado, Marcos D’ Paula disse que viu um dos acusados levar um soco nas costas na entrada da delegacia mas não soube identificar o agressor. Policiais da Core que conduziram os acusados contaram que o carro foi apedrejado e teve o retrovisor direito quebrado na 39ª DP, de onde foram trazidos os quatro.