Mudar a percepção dos técnicos que participam de ações voltadas à conservação dos recursos naturais. Este é um dos desafios propostos pelos organizadores do Seminário ?Conservação de Solos e Água no Paraná?, que acontece, nesta quinta-feira, em Guarapuava.

O evento, que será realizado na seda das Faculdades Guarapuava, deve reunir 380 participantes entre lideranças, produtores rurais e profissionais que atuam na assistência técnica, pesquisa e extensão rural.

O vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, disse que o Seminário de Guarapuava, como os outros 11 eventos programados para todo o Estado, oferece a oportunidade para que Governo do Estado, técnicos e agricultores discutem e criem mecanismos que possibilitem a solução dos problemas referentes à conservação dos solos e água no Paraná.

?Os Seminários são considerados um marco na retomada das discussões em prol da agricultura sustentável e do meio ambiente?, disse.

Segundo Pessuti, por meio deles reforçamos nosso trabalho de conscientização de todos aqueles que estão envolvidos com a atividade agropecuária. ?Precisamos adquirir novas posturas e evitar que voltam a ocorrer graves problemas, verificados no passado, por falta de conservação dos recursos naturais?.

De acordo com dados da Secretaria da Agricultura, na década de 1930, 83,7% do território paranaense era coberto por matas nativas. Segundo o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), entre 1950 e 1980, 47% do território do estado tinha cobertura original. No início da década de 1980, a presença das matas nativas foi reduzida para 14%. Atualmente, elas ocupam apenas 8% do Estado.

A engenheira agrônoma do núcleo regional da Secretaria da Agricultura em Guarapuava, Rosemari Fátima De Ré, destacou que os seminários traduzem o interesse do Governo do Estado no que se refere ao manejo conservacionista. ?Precisamos mudar a percepção dos nossos técnicos e agricultores. Principalmente, dos nossos técnicos. Há necessidade de abrirmos as portas para discutir, novamente, a conservação dos solos e da água?, afirmou.

Para De Ré, o Seminário de Guarapuava vai dar início a um processo de discussão dos vários problemas que afetam os solos e água da região. Segundo ela, entre os problemas verificados, está o uso de declives acentuados para pastagens e cultivos anuais. ?São áreas onde deveria existir apenas mato?.

A engenheira agrônoma também criticou o plantio de batata em áreas de desnível. ?A prática visa diminuir o encharcamento do solo. Mas isso cria canais por onde a água escorre, principalmente, quando chove pesado?, lembrou.

Entre as práticas que prejudicam a conservação dos recursos naturais na região, também estão o revolvimento do solo, durante o inverno, para receber o gado e a falta do sistema de terraceamento ou a retirada dos terraços que já existiam.

?Em nossa região, ainda há o manejo inadequado no consórcio lavoura-pecuária. Num local, são colocados mais animais do que a área comporta. O gado também acaba ficando no lugar por mais tempo que o necessário. Além disso, alguns produtores não fazem a rotação dos piquetes e não observam as condições climáticas para fazer o consórcio?, disse.

Quanto às queimadas, De Ré confirma que muitas práticas são realizadas em áreas de pousio, com o objetivo de implantar lavouras ou pastagens. ?Alguns produtores não observam os critérios técnicos para fazer essas queimadas?, lembrou.

O produtor Cláudio Azevedo, de Guarapuava, elogia a iniciativa de se realizar discussões sobre a conservação dos solos e da água. ?Esses seminários são de extrema importância?, disse. Segundo ele, os produtores precisam estar bem informados sobre tudo o que esteja relacionado à conservação de recursos naturais e meio-ambiente. ?Quanto mais informações, menos risco do produtor agir erradamente. Contamos com o auxílio dos técnicos para que essas informações cheguem até nós?, concluiu.

Os seminários ?Conservação de Solos e Água no Paraná? são coordenados pela Secretaria da Agricultura, através da Emater, Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Embrapa Florestas. Várias entidades públicas e privadas, universidades, prefeituras, conselhos municipais e associações de classe apóiam os eventos.