A sexualidade entre jovens e seus grupos familiares é o mote de uma iniciativa que vem colocando frente a frente estudantes de Psicologia e adolescentes da Guarda Mirim de Foz do Iguaçu. A intenção é possibilitar aos universitários uma oportunidade de colocar na prática as teorias abordadas em sala de aula. A experiência agrada os guardinhas ?meninos e meninas? que em muitos casos enfrentam dificuldades de abordar temas com os pais.

Este é o caso de Fernando Bueno Vieira, de 15 anos. Ele participou da aula prática sobre sexualidade com a turma do 3º período de Psicologia da Uniamérica e interpretou como ?importante? a possibilidade de discutir o tema em grupo. ?Este assunto é de grande interesse da maioria dos jovens, que muitas vezes não é explicado corretamente pelos familiares?, revela.

?Tivemos oportunidade de esclarecer mais a fundo os temas abordados, que serão de grande proveito até na nossa vida profissional?, concluiu. Se para os guardinhas as aulas servem como experiência para a vida toda, para os alunos da universidade, o contato com os mesmos será fundamental na usa carreira profissional. A avaliação é da professora e doutora em psicologia, Nancy Menegheli.

Desenvolvimento 

Nancy afirma que os alunos têm oportunidade de estudar o desenvolvimento das questões junto aos adolescentes. ?Até o momento eles tinham apenas estudado teoria. Agora estão tendo o contato pratico que ajuda tanto eles como os guardinhas. E conversando eles vão entrando em vários assuntos como homossexualidade, conflitos entre pais e filhos e liberdade de expressão?.

A psicóloga informa que raramente o adolescente procura ajuda sobre estas questões. ?Então precisamos ir até eles para dar a assistência necessária?, disse. Segundo ela, os conflitos para à formação do jovem começa no próprio lar. ?Em geral todos querem orientar, então cada um diz uma coisa. Por exemplo, o pai afirma uma situação, a mãe outra, a tia ou a vó outra e assim por diante?, disse.

?É difícil alguém escutar o adolescente que na maioria das vezes também não ouve ninguém. Por isso eles acham ótimo vir para a Guarda Mirim e encaram como uma forma de se libertar da família?. A informação é do presidente da entidade, Hélio Cândido do Carmo, que administra um grupo com mais de 860 guardinhas com idade de 14 a 18 anos.

Barreiras 

Segundo a psicóloga, a interferência começa no jeito de dos filhos se vestirem, nos lugares em que freqüentam e nas amizades. ?Os pais acham que tem o direito de escolher e sempre estão contra o que os adolescentes gostam e querem fazer. Isso gera conflito na família?, diz. Na questão da sexualidade, alguns dizem que os pais não explicam como se prevenir, só para não fazer mais, mas sem revelar o motivo. ?Outros já falam numa boa e na prevenção?, conclui.

Nas palestras os estudantes explicam que os pais têm amor excessivo e sempre querem o melhor para os filhos. Muitos foram criados de maneira repressiva por isso usam o mesmo método. Os adolescentes precisam procurar o que é melhor para seu futuro na escolha das amizades e locais que freqüentam. Nos encontros são repassadas técnicas de como usar preservativos masculino e feminino e como prevenir gravidez indesejada.