Montevidéu (AE) – Numa quadra lotada, mas longe de ter um clima de rivalidade ou provocações, Gustavo Kuerten fez o suficiente para

vencer o uruguaio Marcel Felder por 6/1, 6/0, 3/6 e 6/4, nesta sexta-feira, em Montevidéu e marcar o primeiro ponto do Brasil no confronto com o Uruguai pela Copa Davis.

Não foi a atuação esperada de Guga, especialmente pela torcida local, que o admira muito. Nos dois primeiros sets, o tenista brasileiro até que chegou a empolgar em alguns momentos, mostrando seus golpes arrasadores. Mas, de repente, caiu de produção e permitiu uma reação do adversário, até recuperar-se a tempo de evitar qualquer ameaça da sua vitória.

"Senti muito a falta der ritmo", admitiu Guga. "Num jogo de cinco sets é normal ter algumas oscilações durante a partida, mas não tanto como aconteceu comigo."

Apesar dessa irregularidade na partida, Guga disse que já tem consciência de que está melhorando o seu nível técnico. Lembrou que recentemente, no US Open, jogou num patamar muito mais alto mas também não se desespera com a situação e tenta entender que tudo isso faz parte de seu processo de recuperação – às vezes, mais lento do que o próprio tenista gostaria.

"Na verdade, não estava aceitando o fato de ter jogado mal dois ou três games. Fiquei inconformado com isso, pois sei que posso manter uma maior regularidade, como fiz nos dois primeiros sets em que estive bem competitivo e errei pouco", contou o brasileiro.

Para Guga, esta vitória, mesmo com algumas inesperadas dificuldades, foi parte importante nesse seu atual momento. "Acho que joguei cerca de 70% do que posso atualmente", avaliou. "Mas por outro lado, tenho de pensar no fato de que este ano joguei só quatro ou cinco partidas em melhor-de-cinco sets e estava acostumado a fazer mais de 20."

Sem guerra

O carisma de Guga mudou até mesmo uma conhecida característica da Copa Davis: o clima de guerra e hostilidades da torcida com os tenistas adversários. A presença de um ex-líder do ranking mundial transformou-se na principal atração desse confronto. É claro que a torcida gritou por Marcel Felder, mas respeitou o brasileiro e desfrutou do resultado.

Até na sala de entrevistas, a tietagem seguiu. Alguns pareciam mais interessados em posar para fotos ao lado do tenista brasileiro, pedir autógrafos e conviver com o ídolo por alguns momentos.