Brasília (AE) – O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), integrante da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, informou hoje que, caso o Banco Rural não encaminhe quarta-feira (27) as informações complementares das movimentações financeiras do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, da mulher dele, Renilda Santiago, e das empresas em que eles são sócios, a comissão pedirá providências ao Banco Central (BC). A idéia é criar uma força-tarefa que vá ao Rural buscar as informações.

"Pretendemos ter uma atitude mais firme contra o Banco Rural, contando com o apoio do Banco Central", disse Fruet.

"Até o momento, temos duas perguntas a serem respondidas. Uma é saber a origem dos recursos depositados nas contas e as supostas prestações de serviços pelas agências de Valério a empresas que não quiseram declarar as doações para campanha, a exemplo do que pode terá acontecido com a doação da Usiminas para o deputado José Mentor (PT-SP). A outra pergunta é saber qual foi o destino dos recursos, quem efetuou os saques", acrescentou, após deixar a chamada "sala do cofre", onde a CPI mantém os documentos sigilosos.

O tucano aguarda com expectativa que o Supremo Tribunal Federal (STF) remeta para a CPI os documentos apreendidos no Rural em Belo Horizonte: "Previamente, a informação que temos é que os faxes apreendidos em Belo Horizonte dão a indicação sobre os saques dos recursos."

Fruet informou também que a CPI mantinha investigações sobre transferências de dinheiro feitas por Valério para fora do País. "Essa remessa ilegal já estava sendo investigada e reforça ainda mais a necessidade de investigação porque Valério negou com veemência, em seu depoimento à CPI, possuir conta no exterior", analisou.

As informações sobre a remessa do empresário, disse Fruet, tinham sido obtidas pela CPI do Banestado – cujo relator, deputado José Mentor (PT-SP), pode comprometer-se por não ter citado o Rural, executor da operação, no relatório. "A relatoria de Mentor merecerá ser objeto de investigação futura, pois ele não citou o Banco Rural, mas, posteriormente, surgiu o saque feito por pessoa a ele ligada", analisou.