Salvador – A pré-candidata do PSOL à presidência da República senadora Heloísa Helena (AL) responsabilizou hoje, na capital baiana, o governo federal pela onda de violência promovida por traficantes em várias cidades do País. "O Planalto não cumpriu o que estava no orçamento do ano passado e não liberou recursos para o combate à violência", disse.

Afirmou que houve uma redução de 48% de verba para o fundo penitenciário. Também apontou a falta de existem políticas públicas para evitar que os jovens sejam tragados pelos traficantes. Ela criticou o fato de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficar em Viena, enquanto o Brasil mergulhava "num mar de sangue".

Heloísa Helena disse que vem chamando a atenção para a iminência de uma explosão desse "barril de pólvora". "Fizemos vários pronunciamentos no Senado alertando para os graves riscos na área de segurança pública, pois fora as reduções nas verbas para a área ocorreu uma pífia execução orçamentária".

A senadora foi convidada pelos alunos da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) para participar do seminário "Comunicação e Política" e aproveitou a crise na segurança pública para atacar os poderes constituídos e os grupos econômicos. Disse, entre outras coisas, não aceitar que "as ilustres excelências delinqüentes" passeiem em carros blindados e policiais que combatem o crime não recebam tal equipamento, além de usarem coletes à prova de balas vencidos.

A candidata voltou a criticar os colegas parlamentares ao dizer que no Congresso e na política no Brasil são os lugares onde estão "mais pessoas que não prestam". Qualificou os partidos que apóiam o governo de "bases bajulatórias". Sobre a Justiça disse que escritórios de advocacia "compram" facilmente sentenças e não livrou também os meios de comunicação que teriam a função de convencer as pessoas a aprovar as políticas impostas pelo governo.

"A mídia acaba reproduzindo essa inserção do neoliberalismo (na vida do brasileiro), uma opção cretina e ridícula". Segundo Heloísa Helena apesar dos problemas, em todas as áreas há exceções. "Embora exista essa estrutura de mídia montada para manter os poderosos no Poder, existe uma permeabilidade que reflete as forças (de pressão) da sociedade".

Durante o debate com os estudantes, perguntaram à senadora se ela manteria esse estilo "raivoso" na campanha presidencial ou faria como Lula, contratando um marqueteiro para suavizar o discurso. "Com os canalhas sou selvagem, uma onça não domesticada", disse, garantindo que não vai aceitar dinheiro de "setores empresariais" nem contratará "nenhum Duda Mendonça". "Quem serve ao dinheiro vai para o inferno, eu vou para o céu porque sou socialista."