O ex-deputado Hildebrando Pascoal foi condenado na manhã de hoje 915) a 25 anos e seis meses de reclusão, em regime fechado, como mandante do assassinato do policial civil Walter José Ayala, morto em Rio Branco, no Acre, em setembro de 1997. Por unanimidade, os sete jurados acataram as denúncias que, somadas, deram a ele a pena mais pesada. Entre os outros três acusados julgados no mesmo processo, Alexandre Alves da Silva, o Nin, foi absolvido; o réu confesso Raimundo Alves de Oliveira, o Raimundinho, foi condenado a 24 anos e seis meses e Reginaldo Rocha de Souza, o Regis, a 22 anos e seis meses.

Hildebrando já cumpre 37 anos de prisão por tráfico de drogas e crime eleitoral e está preso desde que foi cassado, em 1999. Essa foi sua primeira condenação por homicídios, supostamente praticados pelo esquadrão da morte que é acusado de chefiar.

A juíza Maria de Fátima da Costa, da 10ª Vara da Justiça Federal de Brasília, ao ler a sentença, afirmou que o ex-deputado tem personalidade voltada para o crime, é audacioso, despreza a vida humana e, ao chefiar um grupo que matava utilizando métodos cruéis, "aterrorizava" a população do Acre. Ele ouviu calado, sem esboçar qualquer reação.

Mais tarde, em entrevista, Hildebrando disse: "Acato a decisão do júri popular, mas não pude me defender. Tenho informações para explicar porque fui cassado e preso. São fatos relacionados à Câmara dos Deputados e ao Acre", declarou, sem apontar quais seriam as revelações.

Durante os sete dias de julgamento, encerrado hoje de manhã, Hildebrando só demonstrou irritação quando terminou o debate entre acusação e defesa. Ele reclamou da atuação dos próprios advogados que contratara. "Não tive defesa, excelência!", disse, levantando os punhos algemados e se dirigindo a juiz. Antes da sentença ser pronunciada, disse que não queria mais falar com os advogados e reclamou com uma amiga, em voz alta, que havia consumido "uma fortuna" em honorários.

"O problema é que essas histórias de ter trucidado pessoas com moto-serra influenciaram os jurados. Os detalhes macabros funcionam como agravante. Essa pecha ele vai carregar", disse o advogado e ex-juiz federal Pedro Paulo Castelo Branco Coelho, que atuou na defesa do ex-deputado.

O advogado tentou livrar Hildebrando com a tese de negativa de autoria, mas acabou exagerando nas críticas contra a vítima e contra as testemunhas de acusação. Os jurados negaram todas as pretensões da defesa. "A sentença fez justiça ao povo do Acre e às vítimas de Hildebrando", comemorou o procurador Pedro Taques, que conseguiu emplacar todas as teses de acusação: homicídio qualificado com motivo torpe, sem dar chances de defesa à vítima e executado para garantir a impunidade do grupo. Também pesou na dosagem da pena dos três condenados as acusações de formação de quadrilha e tentativa de impedir o funcionamento de uma comissão de investigação – o policial foi morto na véspera de um suposto depoimento que prestaria a um organismo de direitos humanos do Acre.

Em data ainda não definida serão julgados no mesmo tribunal outros dois militares, o sargento Alex Fernandes Barros e o soldado Ronaldo Romero, acusados de também terem participado no assassinato de Ayala.