Rio – Apesar da cotação em baixa dos principais produtos da safra agrícola no mercado internacional, o aumento da produtividade deverá garantir uma produção recorde de grãos em 2006. A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que a safra brasileira chegue a 127,6 milhões de toneladas, volume 13,2% maior que a safra anterior (112,7 milhões) e que será puxado pela região Sul, onde houve quebra no ano passado.

O gerente do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), Neuton Alves Rocha, explicou que "a perspectiva é de recuperação do rendimento médio no Sul, após uma queda abrupta em 2005". Como resultado dessa recuperação, a Região Sul participará com 41,8% da safra 2006, voltando ao primeiro lugar no ranking nacional, posição perdida na safra passada para o Centro-Oeste, que retorna, com 33,2%, à segunda posição.

Apesar das boas perspectivas, Rocha alerta que o acompanhamento das condições climáticas nos próximos meses é que confirmará ou não uma safra recorde em 2006. Segundo ele, as chuvas irregulares no Sul já preocupam os produtores locais. No ano passado, a estimativa inicial do IBGE era de uma safra de 134 milhões de toneladas, mas ao final, com os problemas climáticos no Sul, a safra colhida não ultrapassou 112,7 milhões de toneladas. "Depois da safra plantada, a condição preponderante para a sua realização é o clima", disse.

Soja

Caso seja confirmada, a safra 2006 será recorde e terá, mais uma vez, a soja como grande estrela, com 46% da produção. Soja e milho, sozinhos, respondem por 80% da safra agrícola brasileira. A safra da soja vai crescer 15,8% em 2006 ante a safra anterior, chegando a 59,2 milhões de toneladas.

Segundo Rocha, apesar dos preços baixos, a colheita da soja será maior porque a produtividade do produto no Sul deverá chegar a 1.800 quilos por hectare (kg/ha) nesta safra, ante uma produtividade muito baixa, em torno de 600 kg/ha, na safra anterior. Segundo ele, dos cerca de 15 milhões de toneladas a mais na safra de soja em 2006 ante a safra passada, pelo menos 13 milhões de toneladas virão da Região Sul, com a recuperação da produtividade local.

No caso do milho, o crescimento de 27,2% estimado para a produção de milho em grão na 1.ª safra – que deverá atingir 9,5 milhões de toneladas – ocorre, apesar dos preços baixos, para atender ao mercado de ração de animais, observou Rocha. "O milho tem essa válvula de escape que é o segmento de rações", disse.

A produção de grãos do País vai crescer apesar da queda na área plantada, que será de 46,9 milhões de hectares, 5% menor que a da safra anterior. Rocha explica que os preços reduzidos desanimaram os produtores, mas os ganhos de produtividade vão garantir, ainda assim, uma colheita maior.