São Paulo – A criação de um fundo mundial de combate à fome foi a grande bandeira levantada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas inúmeras viagens que fez ao exterior em seu primeiro ano de governo. Recém eleito, em janeiro de 2003, Lula apresentou a proposta no Fórum Econômico de Davos, Suíça, poucos dias depois de anunciar, no Fórum Social em Porto Alegre, que pretendia fazer a proposta ao "clube dos ricos".

O fundo contra a fome entrou na pauta dos encontros de Lula na Assembléia Geral da ONU, em setembro de 2003, e também na reunião do G8 em Evian, na França, em junho do mesmo ano. Foi no encontro de Evian, do qual participou como convidado do presidente francês, Jacques Chirac, que Lula apresentou detalhes de sua proposta.

A idéia inicial era de compor o fundo com 50% dos recursos provenientes do pagamento de juros da dívida externa pelos países mais pobres e com 1% dos gastos com armamentos das nações mais ricas. As duas sugestões de financiamento de Lula foram rejeitadas. Prevaleceu a idéia de Chirac, de taxar as viagens internacionais.

Pelos cálculos mais otimistas, contando com a adesão de pelo menos 30 países, a proposta de Chirac tem potencial de arrecadar US$ 5 bilhões. A Grã-Bretanha também tem uma proposta – de lançar títulos públicos de países ricos e canalizar recursos para programas de desenvolvimento -, que será discutida hoje em Paris.