O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) reprovou a decisão do governo de elevar em 0,25 ponto a meta de superávit primário neste ano. “É uma pena. Havia outras alternativas para o uso do recursos”, diz o diretor-executivo da entidade , Julio Sérgio Gomes de Almeida. Para o Iedi, o governo deveria utilizar os recursos economizados (R$ 4,189 bilhões) para investir em projetos de infra-estrutura, cuja deficiência generalizada está elevando os custos em todos os setores da indústria, inclusive o agronegócio. “A infra-estrutura deficiente elevará, sim, a inflação. O aumento da meta pode até limitar os preços no curto prazo, mas no longo prazo eles subirão”, acredita o executivo.

Outra alternativa aos recursos economizados com o aumento da meta, segundo o Iedi, poderia ser a redução da carga tributária, “uma promessa do governo”. Gomes de Almeida lembrou que Brasília havia acenado com o corte de tributos quando lançou o chamado “pacote de bondades”, mas não ampliou as medidas. “Nesse aspecto, cabe ressaltar que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, está dando um banho no governo federal. Reduz impostos e aumenta a arrecadação”, afirmou, referindo-se ao programa São Paulo Competitivo, anunciado terça-feira.

Gomes de Almeida destacou, por fim, que o Iedi não é contra uma meta de superávit primário. Mas apenas considera inadequado o governo se ater a questões de curto prazo, deixando “correr soltos” os fatores que terão impacto na inflação no médio prazo.