O diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida, defendeu hoje (1) a criação de uma política governamental para evitar gargalos produtivos na indústria brasileira. “Uma idéia seria a redução da cobrança de impostos para companhias que antecipassem projetos de investimento”, afirmou, em apresentação durante o 18º Congresso de Mercado de Capitais. Segundo ele, os segmentos de Borracha, Têxtil, Química e Petroquímica, Refino, Siderurgia e Celulose já estão enfrentando gargalos produtivos.

Em sua palestra, que discutiu competitividade, política industrial e inserção internacional, Almeida defendeu a inovação tecnológica das exportações. “No primeiro semestre deste ano, apenas 21% do crescimento das vendas externas, que foi de 30%, veio de setores de média e alta tecnologia.” De acordo com ele, a tecnologia é essencial para a manutenção dos exportadores brasileiros no cenário mundial.

O diretor também afirmou que, apesar do crescimento das vendas externas, o Brasil ainda ocupa a 32ª colocação no ranking de exportadores mundiais. “Temos de pensar em uma inserção maior do Brasil, e isso passa pela produtividade microeconômica e também sistêmica.” Segundo Almeida, um estudo do Iedi indicou a estabilização da produtividade da indústria nacional de 1999 até agora. “Nossa inserção no mundo depende da melhoria deste indicador”, afirmou.

“Apenas neste semestre, houve um aumento muito forte da produtividade, o que talvez indique um limiar nesse ponto.” Na opinião de Almeida, o Brasil precisa indicar claramente como conduzirá seu crescimento econômico entre 2004 e 2005. Para ele, essa sinalização aos investidores externos dará mais condições para o crescimento da nossa competitividade sistêmica do País.

O diretor defendeu também a redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para pelo menos 5%, se o governo quiser realmente incentivar o investimento produtivo no País. A TJLP está hoje em 9,75% ao ano. Segundo Gomes de Almeida, a definição da TJLP também não pode ser baseada na evolução do risco País, como ocorre hoje. “A TJLP não tem nada a ver com o risco Brasil” criticou.

Desoneração

Pela sistemática atual, essa taxa é fixada a cada três meses pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com base numa combinação da meta de inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 12 meses e do risco País. Para o dirigente do Iedi, as medidas de desoneração do investimento adotadas recentemente pelo governo são “pífias”. “A política econômica do governo precisa de uma vez por todas escolher de que lado está: do investimento produtivo ou financeiro”, cobrou.

Para ele, o governo tem de desonerar totalmente o investimento produtivo, que deve ter “imposto zero”, a exemplo de outros países. Gomes de Almeida disse que o investimento no setor produtivo agora é fundamental para o futuro da economia brasileira. “Estamos numa encruzilhada. Ou vai ou racha. A agenda do governo precisa se chamar investimento produtivo”, disse.

Ele concordou com o alerta feito hoje pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, para o risco da forte expansão da demanda interna comprometer os avanços do comércio exterior brasileiro dos últimos anos. “A tese do ministro é uma verdade”, disse ele. “Vamos ter produtos para exportação daqui a um ano, daqui a dois anos?”, questionou o executivo.