A primeira prévia de setembro do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) caiu 0,56%, ante uma queda 0 36% em igual prévia em agosto.

Foi a taxa mais baixa da história do indicador, iniciado em junho de 1989, sendo a quinta deflação consecutiva nesse tipo de índice. Segundo informou, nesta sexta-feira, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a queda intensa nos preços dos alimentos, no atacado e no varejo, levaram à intensificação no processo de deflação.

Para o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, a primeira prévia de setembro – que abrange o período de 21 a 30 de agosto -, abre espaço para uma quinta deflação consecutiva no IGP-M fechado de setembro. "Isso, o resultado dessa prévia, já fundamenta um pouco (a quinta deflação seguida)", disse.

O coordenador comentou que a primeira prévia já representa um terço do resultado total do índice. "Já houve primeiras prévias que apresentaram resultados negativos e, no fechamento do mês, a taxa completa acabou sendo positiva. Mas não eram taxas tão negativas quanto as de setembro", disse.

O economista da FGV não quis fazer previsões numéricas para o fechamento do indicador esse mês. Mas a analista da Tendências, Marcela Prada, informou que o resultado de queda intensa na primeira prévia levou a uma revisão para baixo na projeção da consultoria para o IGP-M de setembro, de -0,35% para -0,50%.

O IGP-M, que é usado para calcular reajustes em contratos de aluguel, também pode estar caminhando para atingir, no fim de 2005, a segunda taxa mais baixa de sua história. O economista da FGV considerou que, até a primeira prévia de setembro do IGP-M, a taxa acumulada em 12 meses do indicador é de +2,15% – sendo que, no ano, o IGP-M registra elevação de 0 18%. "Acho que a taxa de 2005 só não vai ficar abaixo da de 1998 quando o IGP-M fechou o ano de 1,8%", disse Quadros.

No atacado, os preços caíram 0,73% na primeira prévia de setembro, ante taxa negativa de 0,48% em igual prévia em agosto. Houve intensificação na deflação dos alimentos in natura (de -2 94% para -9,52%) e dos alimentos processados (de -0,62% para -1 18%), o que derrubou os preços dos produtos agrícolas (de -1,18% para -2,87%).

O economista da FGV comentou que essas quedas de preço parecem bem espalhadas nos preços dos alimentos no atacado. Em contrapartida, houve menor influência da valorização do Real ante o dólar, que puxou para baixo, durante meses, os preços de vários itens do segmento industrial, relacionados à moeda norte-americana. Isso causou queda mais fraca nos preços dos produtos industriais no atacado (de -0,25% para -0,03%).

No varejo, os preços caíram 0,30% na primeira prévia de setembro, ante queda de 0,16% em agosto, graças principalmente à deflação forte nos preços dos alimentos (de -0,86% para -1,33%). As quedas no setor agrícola, no atacado, estão sendo repassadas para o consumidor, o que explica as taxas negativas nos preços dos alimentos no varejo.

"É claro que a queda nos preços do varejo ajudou na deflação da prévia, mas o atacado, por ter peso duas vezes maior do que o varejo no IGP-M, quase sempre vai influenciar mais. Além disso, o recuo de preços no atacado foi mais intenso do que no varejo", disse Quadros.

Já o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) ficou praticamente estável, passando de -0,05% para -0,04% da prévia de agosto para a prévia de setembro.