O consumidor brasileiro já pagou mais de R$ 500 bilhões em impostos desde 1º de janeiro deste ano. A marca de meio trilhão de reais foi registrada ontem pelo Impostômetro – painel eletrônico instalado no centro de São Paulo que informa, segundo a segundo, a arrecadação das três esferas de governo.

Em 2005, esse total foi alcançado 27 dias mais tarde, o que significa que a carga tributária está cada vez mais pesada para o brasileiro. Só nos primeiros 10 dias de agosto, os consumidores desembolsaram R$ 21,2 bilhões para pagar impostos: R$ 25 mil por segundo, R$ 1,5 milhão por minuto, R$ 90 milhões por hora.

No ano passado, foram arrecadados R$ 732,87 bilhões em taxas e contribuições – o equivalente a 37,84% do Produto Interno Bruto (PIB). Os trabalhadores destinaram 38,35% do rendimento para pagar impostos. Entre 2000 e 2005, o bolo tributário cresceu cerca de 4,4 pontos porcentuais do PIB.

A expectativa da Associação Comercial de São Paulo, responsável pelo Impostômetro, é de que até dezembro deste ano o painel registre R$ 820 bilhões, 10% mais que em 2005. O diretor do Instituto de Economia da entidade, Marcel Solimeo, diz que os números explicam o baixo crescimento da economia brasileira nos últimos anos. "A carga de impostos é alta demais em relação a renda dos trabalhadores. Isso contribui para que a economia não avance".

O que mais vem engrossando a carga tributária são as contribuições, como CPMF e Cofins. Segundo dados do Tesouro Nacional, a receita proveniente desses impostos passou de 12,8% do PIB, em 2000, para 17% em 2005. A carga decorrente de impostos tradicionais, como IR, IPI, IPTU, ICMS, representa 17 3% do PIB.

O impostômetro também pode ser acompanhado pela internet, no site www.impostometro.com.br