Apenas oito países estão à frente do Brasil na diferença entre ricos e pobres, segundo apurou o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), um programa da Organização das Nações Unidas (ONU), para avaliar condições socioeconômicas das populações da Terra.

Os países que batem o Brasil em termos de concentração da riqueza são Namíbia, Botsuana, Suazilândia, Lesoto, Guatemala, República Centro-Africana e Chile, que concentram de 47% a 64,5% das referidas riquezas nacionais. A maioria absoluta está na África e as razões da concentração são de fácil identificação.

Segundo o IDH, os 10% mais ricos do Brasil têm em suas mãos 46,9% da riqueza nacional e, em contrapartida, os 10% mais pobres se arrumam com a ínfima parcela de 0,7% da renda. Nesse particular o Brasil está melhor que Venezuela e Paraguai, com 0,6%, vindo a seguir Serra Leoa, Lesoto e Namíbia com 0,5%.

No cômputo geral, o Brasil continuou em 63.º lugar em 2005, embora tenha galgado dois pontos percentuais, de 0,790 para 0,792, graças ao hercúleo esforço realizado em saúde e educação.

O quadro é alarmante, pois revela que a extrema pobreza pode crescer ainda mais nos próximos anos, aumentando assim a distância social que separa habitantes de um mesmo país. Realidade inacreditável ao se considerar o potencial brasileiro na produção de minérios disputados pelo Primeiro Mundo, petróleo, produtos manufaturados e commodities agrícolas, cujos volume de exportação sustentam a estabilidade econômica nos últimos anos.

Para o governo, o IDH trouxe a certeza de mudanças breves, tendo em vista que falta pouco para se alcançar a linha do alto desenvolvimento (0,800), onde estão Argentina, Chile, Uruguai e México. A ministra Dilma Rousseff acredita que o crescimento do PIB nos próximos anos colocará o Brasil no patamar desejável.

Entretanto, a preocupação de trabalhar em prol da melhoria das médias em educação, saúde e renda somente será justificada e digna de aplausos se englobar toda a população. Não é possível imaginar que cidadãos, em pleno século 21, ainda estejam submetidos a um padrão de vida inferior à linha da miséria. É insustentável e vergonhoso.