Brasília – O total de riquezas produzidas pela indústria de transformação caiu 0,4% de abril a junho, na comparação com o mesmo período do ano passado. Com a queda, a indústria deixou de puxar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2005 e no início deste ano, a indústria foi o setor que mais cresceu na economia brasileira. Os resultados positivos puxaram o crescimento geral da economia, melhores que os do segundo trimestre deste ano.

Mesmo com a queda no último período, o setor industrial ainda é o responsável pela maior contribuição para o PIB no acumulado do ano, que está em 2,2%. Considerando todo o setor industrial, houve pequena alta, de 0,5%, mantida pela áreas de construção e mineração. As informações constam da Contas Nacionais Trimestrais divulgadas nesta quinta-feira (31) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os dados para o segundo trimestre do ano também mostraram desaceleração significativa nos investimentos na economia, que apresentaram taxa 2,9% contra os 3,7% verificados no trimestre anterior. De acordo com a gerente da pesquisa Rebeca Palis, o recuo dos investimentos é resultado, principalmente, da redução na taxa de crescimento da construção civil e no volume de produção de máquinas e equipamentos – causado pelos problemas da receita e pelo menor número de dias úteis.

Rebeca Palis considera que a diminuição no ritmo do crescimento da indústria se deve a vários fatores como "a greve na Receita Federal, que prejudicou tanto a venda da produção para o exterior, como a importação de matérias-primas fundamentais para o processo produtivo".

Ela também destacou a acentuação do efeito cambial que é desfavorável para as exportações e incrementa as importações, dificultando a concorrência dos produtos da indústria nacionais também no mercado interno. Além disso, Palis  lembrou que entre abril e junho houve uma redução dos dias úteis por causa de feriados prolongados e dos jogos da Copa do Mundo.

Segundo o levantamento do IBGE todos os subsetores da indústria apresentaram desaceleração no volume de produção em relação ao segundo trimestre de 2005. A construção civil, que teve o melhor desempenho no período, passou de um crescimento de 7% para 2,6%, a indústria de transformação recuou de 2,7% um taxa negativa de 0,4%. A maior desaceleração ocorreu na indústria extrativa mineral: de 12,6% para 1,5%.

Segundo Rebeca Palis, redução na indústria mineral e explicada pela baixa taxa de crescimento na Extração de Petróleo e Gás (0,8%), ocasionada pela paralisação de plataformas de extração de petróleo para manutenção.

 Em as principais reduções no volume de produção foram registradas na siderurgia, na metalurgia, no setor têxtil e de calçados, no abate de animais, na indústria química e de mobiliário.

O setor de serviços foi o que teve melhor desempenho na comparação com o segundo trimestre do ano passado, apresentando crescimento de 1,9%. A taxa só não foi maior, pois houve redução de 0,3% na área de comunicações. A queda na taxa foi causada por uma estabilidade na telefonia móvel celular. Há vários meses as reduções nos serviços de telefonia fixa vinham sendo compensadas com a evolução da telefonia celular, o que não aconteceu neste período, gerando a taxa negativa para a área.

O crescimento da Agropecuária foi de 1% e pode ser explicado pela safra produtos agrícolas relevantes no segundo trimestre como o café e a soja, com resultados positivos,  e o algodão e o arroz que registram queda no ano.