Rio – A indústria vai ser a locomotiva da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. A projeção é do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que acaba de projetar crescimento de 6% para a produção industrial em 2006 – o dobro dos 3,1% ano passado – e revisou de 3,5% para 3,8% o crescimento do PIB neste ano.

Segundo o Instituto de Economia da UFRJ, o crescimento do PIB em 2005, taxa que será oficialmente divulgada amanhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 2 5%. O valor também foi alterado pelo IE/UFRJ, depois que o IBGE divulgou uma revisão para a indústria em novembro e apresentou o resultado de dezembro, considerado mais forte do que o esperado pelo mercado.

"O motor do crescimento do PIB agora vai ser a indústria", diz o coordenador do Grupo de Conjuntura do IE/UFRJ, Antonio Licha. A estimativa de crescimento para a produção é bem superior aos 4% projetados pelo mercado, conforme a pesquisa semanal Focus, do Banco Central (BC).

O grupo da UFRJ analisa que o forte crescimento industrial no fim do ano passado vai provocar impacto positivo na produção deste ano. O IBGE revisou de 0,6% para 1,3% o crescimento da produção de novembro ante outubro e informou que o avanço em dezembro foi de 2,3%.

Juros – Licha explica que os resultados da indústria surpreenderam. Além disso, o grupo de conjuntura avalia que a redução da taxa Selic, que deve chegar ao fim do ano em 14,5%, segundo o IE/UFRJ, será decisiva para estimular a atividade econômica e a produção industrial do País. Segundo o boletim do IE, "períodos de queda da taxa Selic foram sempre acompanhados, nos últimos anos, por expansão vigorosa da indústria e o mesmo deverá ocorrer este ano".

Licha comenta, ainda, que a retomada esperada para a indústria este ano é comparável, em intensidade, à recuperação iniciada a partir da redução dos juros em março de 1999. Mas deverá ser um pouco mais fraca que a retomada começada com a queda da Selic em junho de 2003.

Riscos

Há, contudo, riscos no horizonte e o principal deles é o câmbio. As contas do grupo de conjuntura mostram que as exportações de manufaturados estão estagnadas. O coordenador lembra que, atualmente, o peso das exportações na produção das indústrias de manufatura já é de 25%. O outro risco é que a valorização cambial começa a provocar um movimento de substituição de produtos nacionais por importados.