O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê pancadas de chuvas e
trovoadas em todo Brasil neste final de semana, principalmente nos estados do
Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Uma frente fria que chega ao país vai
beneficiar essas regiões, onde não chove há cerca de 90 dias.

No próximo
dia 21, termina o verão e a previsão do Inmet é de alteração nos padrões de
circulação dos ventos na atmosfera. Para os técnicos, a mudança levará
normalização ao regime de chuvas na região sul do Brasil, pelo menos no mês de
abril. "Para o outono, as perspectivas são de regularidade nas chuvas na região
sul e nas temperaturas, principalmente no Sudeste", diz o chefe da Previsão do
Tempo do Inmet, Francisco Assis Diniz.

Segundo ele, a estiagem no Rio
Grande do Sul e em Santa Catarina é um fenômeno que se registra desde 1999.
Diniz explica que o problema está relacionado com a variabilidade climática,
embora neste ano tenha se agravado. "Isso é provocado pelos padrões de ventos na
atmosfera. Essa estiagem está mais acentuada do que nos últimos 30, 40 anos,
ultrapassando o patamar da seca ocorrida em 1985, um dos períodos mais críticos
no país", ressalta.

Diniz ressalta que não existe uma resposta para a
intensidade da estiagem no sul do Brasil, mas afirma ela pode estar relacionada
a mudanças nos padrões e oscilações atmosféricos. Segundo ele a estiagem normal
prevista para a região nessa época do ano é de até 25 dias. Passado esse prazo,
deixa de ser normal porque começam a mudar as características do clima para o
período. "A estiagem gera problemas agrícolas, de recursos hídricos e em
atividades que dependem das condições de tempo e clima (como a agricultura)",
diz o meteorologista.

Segundo o Inmet, mudanças nos padrões atmosféricos
têm causado variações climáticas em grande parte do Brasil. Diniz cita como
exemplo a estiagem na região norte, registrada no final do ano passado, que se
estendeu até o mês de janeiro. Sobre o Nordeste, que também passa por um período
de estiagem, o meteorologista lembrou que o problema na região é cíclico e
existe há mais de 200 anos.