Mais de 30 acusados, entre políticos – com e sem mandato -, empresários, lobistas e funcionários públicos estão relacionados para fins de indiciamento no inquérito do "mensalão", que a Polícia Federal (PF) enviará ao Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 15. A lista poderá ser ainda maior. O relatório apontará as provas sobre os crimes atribuídos a cada um dos acusados, levantadas em mais de seis meses de investigações, mas se absterá de indiciá-los, tarefa que caberá ao STF.

A PF pedirá nova prorrogação de prazo do inquérito, a fim de que sejam concluídas perícias importantes em curso no Instituto Nacional de Criminalística (INC). Trata-se dos exames periciais de toda a contabilidade bancária e fiscal nas empresas do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, operador do esquema de distribuição de dinheiro com parlamentares da base aliada.

Esses documentos, apreendidos em várias operações em Minas Gerais, Rio e Brasília, mostram todas as entradas e saídas de recursos e os saques efetuados nos Bancos Rural, do Brasil (BB) e BMG por beneficiários do esquema.

A relação dos candidatos a indiciamento será encabeçada por Valério e mais quatro personagens centrais do episódio. São eles o ex-presidente nacional do PT José Genoino, o ex-secretário nacional de Finanças e Planejamento Delúbio Soares o publicitário Duda Mendonça, que fez a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-diretor de Marketing do BB Henrique Pizzolato, acusado de ser um dos abastecedores do caixa dois petista.

O ex-deputado José Dirceu (PT-SP) não figurará da lista de indiciáveis da PF. Mas estão com rol de provas criminais formado os 18 parlamentares que constam da lista de sacadores de recursos das empresas de Valério no Rural, seis deles sem mandato por terem renunciado ou sido cassados.

Figuram ainda na lista a sócia de Duda Mendonça, Zilmar Fernandes da Silveira, diretores das corretoras e operadoras de valores Guaranhus e Bônus Banval, suspeitas de serem usadas no esquema de lavagem de dinheiro de caixa dois para partidos, e parlamentares da base aliada.

Para evitar a repetição de atritos com o STF, a tarefa do indiciamento ficará a cargo do relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, depois de ouvido o parecer do procurador-geral da República, Antônio Fernando Souza. O inquérito do "mensalão" tem quatro ramos, chamados de filhotes, cujas investigações prosseguem.

Um deles é o inquérito de Furnas, que ganhou fôlego esta semana com a confissão do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de que recebeu doação em 2002 de um esquema de caixa dois montado na estatal. O nome de Jefferson consta de uma lista de 157 políticos que teriam recebido o mesmo tipo de doação ilegal, entre os quais, os principais líderes do PSDB e líderes de outros partidos.

Por meio de nota, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, negou hoje que tenha recebido ordens de Lula para investigar com força e prioridade a lista de Furnas, conforme foi noticiado. Segundo a nota, as investigações de Furnas estão em curso desde julho, juntamente com outros órgãos públicos.

Garante ainda que o trabalho da PF é realizado com o profissionalismo de uma equipe sem qualquer vínculo com partidarismos políticos. "O importante, como é prioridade do governo Lula, são os interesses da sociedade", assegura o comunicado.