A Polícia Militar completou 150 anos, comemorou com festa e tudo o mais que tem direito (!?), mas e a população paranaense? Há motivos para comemorar? Pelo que se tem lido, ouvido e visto nos últimos tempos, o povão tem mesmo é que ficar muito esperto. Além de ser mais fácil encontrar nota de R$ 100,00 do que um policial militar, seus comandantes estão passando um atestado de incompetência ao sugerirem Atletiba com uma torcida só.

Se os policiais não podem, não querem ou não sabem controlar as torcidas de futebol, imaginem na atuação contra a bandidagem, que cada vez mais controla boa parte das grandes cidades brasileiras (incluindo aí Curitiba). Pior do que isso é ver que a autoridade da PM não existe mais. Qualquer vagabundo, que se diz torcedor de uma equipe profissional, se julga no direito de revidar uma ação policial, sem o menor constrangimento.

Tem mais. As cenas do último Atletiba, com policiais apanhando, mostra que há uma inversão de valores na sociedade. Isso é muito perigoso, porque vivemos cercados por marginais, com medo, e acabamos perdendo a confiança em quem deveríamos confiar: a polícia. Pelo contrário, nas arquibancadas, o que se houve é muito mais protestos contra a PM do que contra os baderneiros, trombadinhas e toda espécie de torcedores, que vão ao campo para tumultuar o ambiente e não torcer por sua equipe.

Não é a primeira vez que toco no assunto e, pelo visto, não será a última. A violência só cresce e, cada vez mais, a ousadia dos criminosos aumenta. Não é culpa deste governo, mas quem está no poder assumiu um compromisso com a população e precisa agir o mais rápido possível. Não pode ficar culpando os outros e reclamando da herança que recebeu. Tem que agir. Até agora, não melhorou nada.

Não que a corporação seja corrupta ou mal administrada. Muito longe disso, mas a preparação para enfrentar os problemas para os quais a PM é chamada precisa ser muito melhor. Pelo que eu sei, cavalo é bom para cercar gado, não torcedores de futebol. Se alguém é tratado assim, e os torcedores o são, principalmente nos clássicos, não é de se estranhar que a recíproca seja verdadeira. Fora a sujeira que fica pelas ruas da cidade. Já no dia-a-dia, ver uma viatura é tão difícil quanto acertar na loteria. Se você liga para 190, tem que rezar para ter a ocorrência atendida.

A Polícia Militar não precisa ser rude. A ditadura já acabou e vivemos em outros tempos. É necessário uma reciclagem de idéias nos diversos comandos. A sensação é de descontrole e de desamparo, fora a diferença de tratamento. Num assalto em prédio de “bacana” o atendimento é imediato. Nas vilas, quem sabe… De quem é a culpa? Muita gente e não cabe ficar à caça às bruxas. É preciso agir e é preciso valorizar os policiais. Quem veste uma farda tem muita responsabilidade e tem que ganhar muito bem para exercer essa profissão. Mas, sem truculência.

Rodrigo Sell

(esportes@parana-online.com.br) é repórter de Esportes em O Estado.