Rio – A perda de fôlego nos reajustes de mensalidades escolares levou a uma taxa menor do Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), que subiu 0,10% na semana encerrada em 22 de fevereiro, ante alta de 0,16% no período anterior. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o resultado comprova o cenário favorável da inflação no varejo em fevereiro e reforça as apostas de que o último IPC-S do mês possa registrar taxa próxima de zero.

Segundo o economista da FGV, André Braz, a elevação menos intensa nos preços de cursos formais (de 1,94% para 0,88%) foi responsável por cerca de 80% da desaceleração do IPC-S anunciada hoje (23). Ele explicou que, em janeiro, os preços das mensalidades escolares sempre sobem muito, já que o primeiro mês do ano historicamente é um período de reajustes nesse tipo de serviço. "Como a maioria dos aumentos já foi efetuada, os preços dos cursos formais subiram menos em fevereiro. Eu não duvido que essa alta de 0,88% se torne uma taxa de variação zero até o final do mês", afirmou.

Outro segmento que contribuiu para uma taxa menor no IPC-S foi o de alimentos, cujos preços caíram 0,35%. De acordo com Braz, a maioria dos itens alimentícios está com os preços subindo menos ou em deflação. Entre os destaques, estão as quedas de preços em carnes suínas (-4,15%); e pescados frescos (-1,26%).

Ao justificar sua previsão para a próxima apuração do indicador, que pode continuar a registrar desaceleração, o técnico da FGV ressaltou que a elevação menos intensa nos preços de cursos formais vai continuar. Além disso, a elevação no preço do álcool combustível está perdendo força, com alta de 4,72% no indicador anunciado hoje, ante aumento de 6,05% na semana anterior.

Embora o preço da gasolina continue acelerando (de 1,03% para 1,09%), da segunda semana de fevereiro para a terceira semana do mês o economista não descartou a possibilidade de que, o preço do álcool, caso continue subindo menos, possa puxar para baixo o preço da gasolina na última semana de fevereiro. Pelo menos até final de fevereiro, a gasolina ainda contará com 25% de álcool em sua composição. "Isso beneficiaria a taxa do IPC-S" afirmou.